Sob o calor forte do Rio, entre congestionamentos, ambulantes e pedestres afoitos, um local onde muitos vivem, mas poucos conhecem sua realidade.
Jacarezinho, na zona norte, é uma das favelas mais pobres da cidade e a segunda maior do Estado.
Cerca de 50 estudantes de diferentes cantos do Brasil tiveram a oportunidade de visitar a comunidade nesta quinta-feira (5), dentro das atividades do chamado Lado C do festival, iniciativa para integrar os jovens à realidade local.
A visita ao Jacarezinho, comunidade recentemente pacificada pela Polícia Militar, teve apoio e coordenação da Agência de Notícias das Favelas.
O local despertou a curiosidade dos estudantes. “Queria saber como é estar numa favela pacificada. Fico me perguntando se por aqui as armas só mudam da mão do bandido pras mãos dos policiais”, disse a estudante de jornalismo da Fasul, no Paraná, Camila Freipag.
Por becos e vielas, pichações e propagandas políticas adornavam a favela. Crianças e cachorros subiam as ruas, moradores deixavam as casas para o trabalho, comerciantes negociavam produtos nas calçadas. Um cenário normal, não fosse pela quantidade de policiais carregando fuzis de um lado para o outro.
Para o líder comunitário Rumba Gabriel, é importante que estudantes tenham contato com o dia a dia da favela para entender as necessidades da população.
“A gente não pediu polícia e mandaram polícia. A gente não pediu drogas e mandaram drogas. Não pedimos armas e mandaram armas. Estamos cerceados, por isso é importante que mais pessoas conheçam e entendam a favela. É uma interação cultural fundamental”, disse.
Após uma longa caminhada, feijoada e sarau com os rappers Nego Tema e Chacal, todos brindaram o passeio pelo Jacarezinho e reconheceram o valor e a dimensão da produção cultural local.
“Foi uma experiência incrível. A gente não sabe muito bem como funciona a favela e chega aqui, é bem recebido, e consegue ver um sorriso no rosto destas pessoas apesar de toda a dificuldade. Vou levar esse dia para toda a vida”, afirmou a estudante de geografia da Universidade do Oeste da Bahia (Ufob) Patrícia Mouro.
Da Redação