A diretoria de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a diretoria de mulheres da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) reuniram as estudantes que participavam do quinto dia do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres para uma roda de conversa sobre a atuação das estudantes feministas no dia a dia em suas escolas e universidades. O bate papo aconteceu ao final da tarde da última quinta-feira (29/08) na Tenda da Solidariedade, montada no Memorial da América Latina, em São Paulo, após a realização de diversos grupos de discussão.
As jovens destacaram como a presença do feminismo dentro da UNE fortalece a marcha e a luta contra o machismo na sociedade. As estudantes contaram que estão construindo centros e diretórios acadêmicos (DCE’s) que fazem o debate de mulheres dentro da sua universidade e fora dela.
“A Marcha Mundial das Mulheres e a UNE juntas conseguem transformar a relação de patriarcado, buscando uma sociedade mais igualitária, não opressora, menos racista, em diálogo com as mulheres negras, sem homofobia, sem lesbofobia”, ressaltou a diretora de universidades públicas da UNE, Mirelly Cardoso. “Acredito que a importância do espaço convocado hoje é para falarmos um pouquinho sobre o que é a construção da UNE e da Marcha, como elas se completam, se ajudam e fortalecem os debates feministas”, explicou.
Para a diretora de movimentos sociais da UNE, Amanda Teixeira, ter uma UNE feminista é determinante para atuar nas bases da universidade. De acordo com ela ter a marcha como referência dentro desse contexto é algo fundamental porque é um feminismo que discute a vida das mulheres de fato e que visa mudar a vida do seu dia a dia.
“Nós comentamos nas nossas reuniões que queremos mudar a vida de todas as mulheres, mas para isso é necessário que a gente mude a nossa vida e a marcha tem muito essa característica. Em uma discussão de hoje refleti que anteriormente eu não me reconhecia enquanto mulher e a marcha foi determinante para isso”, argumentou. Segundo Amanda, a UNE e a Marcha discutem um feminismo que não é pronto e está em processo de construção diária.
A diretora de mulheres da UNE, Lays Gonçalves, afirmou que é muito importante ter contato direto com feministas mais velhas, que já estão na caminhada há mais tempo, e tê-las como referência. “Nós vemos que a pauta feminista se expande para todas as idades e para uma diversidade de mulheres como as indígenas, que tem a cara do nosso país e da América Latina”, destacou.
A diretoria de mulheres da UNE e da UBES irão produzir um relato sobre o que foi o espaço e assim, divulgar para quem não pode participar da marcha. “Nós tivemos com outras companheiras de 48 países do mundo e elas foram enfáticas em ressaltar a diferença da marcha brasileira para as outras marchas: a presença de jovens”, contou Mirelly. Para ela, a presença de jovens se dá pela construção casada entre a UNE e a Marcha, o que traz os estudantes para os debates.
A coordenadora da Marcha Mundial, Nalu Faria, conta que a relação entre a marcha e muitas jovens da UNE tem contribuído para posicionar o debate feminista junto às estudantes e o feminismo construído na marcha, com uma perspectiva de mudança global com os movimentos. “Nós, enquanto marcha mundial das mulheres, estamos junto com a UNE em vários processos de articulação dos movimentos sociais”, explicou.
Marcha no MASP
O 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres acabou com um protesto na Avenida Paulista, na tarde do último sábado (31/08). Centenas de mulheres participaram do ato, que começou no vão do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e seguiu em caminhada até a Praça da República, no Centro, para mostrar que a luta das mulheres vai muito além do que se imagina, com pedidos de solidariedade e igualdade em todo o mundo.
Natália Vaquelli