Depois de 10 anos de mandos e desmandos, o diretor da unidade da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) da cidade de Frutal pediu exoneração do cargo. Imediatamente a reitoria da instituição chamou uma reunião com os coordenadores do campus para que um fosse indicado entre os elegíveis. Durante a reunião os estudantes –que não foram convidados- compareceram. De acordo com o Diretório Acadêmico da UEMG “pedimos licença e assumimos as cadeiras de forma totalmente pacifica, e os presentes na reunião nos aceitaram de forma tranquila. O Reitor nos apresentou um modelo a ser seguido, onde apenas os coordenadores da instituição têm direito a voto sobre a nova direção. E entre esses coordenadores apenas os efetivos e efetivados podem concorrer à vaga. Questionamos esse modelo, discutimos e exigimos eleições ” afirmou a entidade.
De acordo com o Reitor Dijon Moraes Júnior, o Ministério Público e o regimento da entidade possibilitam que ele indique quem ele quer. Mas os estudantes afirmam que temem um mesmo diretor no cargo por mais 10 anos “queremos eleições e participação efetiva de todos os estudantes”, ressaltou o presidente do DA, Luiz Felipe Leão.
Ele explica que os estudantes fecharam um acordo com o reitor. Realizaram uma assembleia com toda a comunidade acadêmica que previa a organização das chapas concorrentes, a realização de um debate nesta terça-feira (14/04) e uma eleição na quarta-feira (15/04). “Propomos uma eleição de voto universal, onde se somariam iguais votos de professores, servidores, estudantes, como uma consulta. O resultado seria encaminhado aos coordenadores da unidade para que dessem a palavra final”, afirmou.
De acordo com o DA o problema é que agora, muitos alguns coordenadores não estão cumprindo o acordo. “Ontem realizamos uma nova assembleia e apenas 3 dos 9 coordenadores compareceram. Apesar disso fizemos um piquete, chamamos os estudantes que compareceram em massa”, contou.
E continuou: “fizemos um cronograma para respeitar o acordo que fizemos com o reitor. Conquistamos o direito de participar dessa importante decisão e estamos construindo tudo democraticamente”.
PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA
Os representantes estudantis argumentam que a realidade da universidade mudou e a participação estudantil direta na escolha dos cargos de decisão da universidade é urgente.
Para o presidente da UEE-MG, Paulo Sérgio, o processo está sendo legitimado pela comunidade acadêmica apesar da tentativa de boicote de alguns coordenadores da unidade.
Ele lembra que o processo de estadualização da UEMG é recente e só terminou em outubro de 2014. Antes disso, a universidade funcionava em parceria com institutos particulares e os estudantes pagavam mensalidade. “Agora que conquistamos a gratuidade, a luta é pela expansão e reestruturação do campi”, afirma.
No plano da UEE de reestruturação da UEMG a questão da democracia interna está prevista. “A consolidação dos conselhos, a participação dos estudantes, eleições paritárias, a reestruturação acadêmica e uma nova concepção de universidade” , destacou Paulo.
A UEMG é multicampi e ainda não tem um DCE, por isso as representações estudantis ficam espalhadas e os estudantes não tem representação no Conselho Universitário.
Cristiane Tada