A greve da Universidade de São Paulo (USP) que já dura 91 dias, tem sido noticiada repetidas vezes em virtude de uma crise financeira, que justificaria as políticas de austeridade do atual reitor, Marco Antonio Zago. Os estudantes questionam essa crise, devido à falta de transparência nas contas da maior universidade do país.

Assim que assumiu no cargo máximo da USP, Zago anunciou uma série de cortes no orçamento. De acordo com o DCE Livre da USP foram afetadas bolsas de estudo, intercâmbio e estágio, instalações, equipamentos, o Hospital Universitário, a manutenção dos prédios. Mas o mais grave aconteceu no mês de maio quando foi anunciado o congelamento das contratações na USP e a notícia que não haveria reajuste salarial para professores e funcionários das universidades estaduais paulistas. Sem qualquer possibilidade de negociação.

A resposta de professores, funcionários e estudantes da USP, UNESP e Unicamp foi imediata, e deflagrou-se a greve. De lá para cá, houve vários embates entre a comunidade acadêmica e a reitoria.

Agora estudantes, funcionários e médicos do Hospital Universitário, estão na luta contra a transferência da gestão do hospital para a Secretaria Estadual de Saúde. Fundamentada em cima de um relatório feito por um profissional de fora da USP, a proposta deve ser votada na reunião do Conselho Universitário nesta quarta-feira (26/08). Além de perder a autonomia com a desvinculação do HU da USP, os estudantes questionam se sob outra gestão o órgão se manteria alinhado com a missão da universidade, de ensino, pesquisa e extensão de excelência. “O reitor mais uma vez tem tomado decisões de forma autoritária sem discutir com a comunidade acadêmica”, afirmou a secretária geral da UNE, Iara Cassano, que participou de uma reunião dos estudantes nesta segunda-feira (25/08) para debater o assunto e planejar a atuação dos estudantes na reunião do Conselho.

Para ela a solução do HU são mais investimentos e outras parcerias como com o SUS, por exemplo. “Por que não promover negociação com a Secretaria Estadual de Saúde para aumentar o aporte financeiro ao hospital em vez de simplesmente passar a gestão?”, questiona.

Os integrantes do Corpo Clínico do HU também assinaram um manifesto contrariando o relatório e a desvinculação do órgão.

De acordo com estudante Pedro Serrano do DCE da USP, além do Hospital da USP também deve ser colocado em pauta nesta quarta  outras medidas que incluem um programa de “demissão voluntária”de 3 mil funcionários técnico-administrativos e o desmonte do Hospital de Bauru, o que ele classificou como “catastrófico e absurdo”. E continuou: “A nossa esperança é que tanto o movimento social quanto os outros setores da universidade se posicionem e mostrem a sua força na reunião do Conselho hoje, mostrando quão isolada está a posição do reitor”.

Cristiane Tada com informações do DCE da USP