A onda de protestos em Belo Horizonte, que levou centenas de milhares às ruas da capital nos últimos dias, agora está completamente localizada na Câmara de vereadores do município. Estudantes e movimentos sociais ocuparam a casa após uma votação polêmica, na manhã do sábado (29) envolvendo o valor das passagens no município. Cerca de 200 pessoas permanecem no local promovendo assembleias populares, atividades culturais, divindo-se em comissões para cuidar da segurança e da alimentação no local.

A sessão parlamentar que motivou toda a mobilização foi convocada às pressas, nas primeiras horas da manhã, para que os vereadores votassem o projeto de lei do Prefeito Márcio Lacerda que concedia redução inicial de R$0,05 no valor das tarifas da capital, além de outras isenções fiscais às empresas concessionárias que representariam mais R$0,05. No entanto, estudantes e movimentos pedem a revogação do último aumento, do mês de janeiro, o que resultaria R$0,15 de redução, além da abertura imediata das planilhas de custos do transporte na capital, com a revisão dos lucros dos empresários do setor.

Para o presidente da UEE-MG Paulo Sérgio Oliveira, que está entre os acampados, a ocupação revela o momento de grande unidade dos movimentos de juventude na capital e o próximo passo é cobrar um encontro com o prefeito para levar as reivindicações do movimento. “Além da revogação do aumento, exigimos que o prefeito não assine o projeto que foi aprovado na Câmara”, disse. Ele também apoiou a ideia de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos e lucros com o aumento das passagens na capital.

O vice-presidente da UBES, Gladstone Reis, reclamou da falta de transparência na votação do projeto de lei, em sessão convocada às pressas para as oito da manhã do sábado, assim como da violência utilizada contra estudantes que forma impedidos de entrar no plenário: “Para nós da UBES a democracia é muito cara, não há como aceitar uma situação dessa no legislativo da cidade em que fala mais mais alto somente a voz dos espresários do transporte”, declarou.

Douglas Silva, presente!

A ocupação conta com a organização e criatividade dos manifestantes. Um piano chegou a ser levado para a porta da Câmara Municipal, pelo músico Gabriel Guedes. Durante a primeira noite na sede do legislativo, foram realizadas atividades culturais como um sarau de poesias e uma edição do conhecido Duelo de MCs da capital mineira.

Um dos momentos mais simbólicos foi a homenagem ao jovem Douglas Silva, de 21 anos, metalúrgico da cidade mineira de Curvelo que morreu na última grande manifestação de Belo Horizonte no dia 26 de junho. Douglas caiu de um viaduto na avenida Antônio Carlos, em um momento de conflito de manifestantes e policiais. Na Câmara municipal, os jovens realizaram um minuto de silêncio, chamaram o nome de Dougals e afirmaram sua presença, como na lembrança aos jovens mortos e desaparecidos durante o regime da ditadura militar brasileira. Também foi produzido um abaixo assinado para que o viaduto seja renomeado com o nome de Douglas.

Da Redação