Entrou em vigor no último sábado, 3, o aumento no valor das barcas do Rio de Janeiro. Após aumento de mais de 60%, bilhete de R$ 2,80, passou a custar R$ 4,50. Desde que foi anunciado o aumento, em dezembro do ano passado, os              estudantes, juntamente com os trabalhadores tem se mobilizado para protestar contra o novo valor, considerado abusivo. Somente hoje, 5, dois grandes atos pararam as bilheterias das barcas em Niterói e no Rio de Janeiro, quando cerca de 200 estudantes protestaram contra a nova tarifa.

A UNE apóia luta dos estudantes e trabalhadores cariocas. O presidente da entidade, Daniel Iliescu, participou de uma grande mobilização no último sábado, dia em que entrou em vigor a nova tarifa. Para ele, o reajuste é absurdo e injustificável. “Esse aumento revela um programa de desenvolvimento conservador  para a cidade. O Julio Lopes (secretário de transportes da cidade) precisa recuar. Para além da luta por um transporte público de qualidade, tem que haver no Rio de  Janeiro uma disputa pelo “novo Rio” que está nascendo nesse momento”, afirmou.            

O aumento de mais de 60%, autorizado em dezembro passado pela Alerj, foi fundamentado na alegação da Barcas S.A., companhia que administra o serviço, de que o reajuste no preço viria para saldar uma dívida contraída com o Estado desde o fim da década de 1990. Segundo a empresa, o transporte de  passageiros a R$ 2,80 estava gerando prejuízos.

Para  o presidente da UEE-RJ, Igor Mayworm, o aumento proposto “prevê um programa claro de transferência de dinheiro público para a iniciativa privada”. Ele explica: “O trabalhador que usar o bilhete único, gastará 3,20 pelo transporte. Acontece que o estado vai pagar 1,40 para cada tarifa para o empresariado. É dinheiro que sai do nosso bolso para a iniciativa privada e não há nenhuma lei que impeça isso”,  indignou-se.

No dia 12 de dezembro do ano passado, a nova gestão da entidade tomou posse e após a cerimônia realizou o primeiro ato de protesto contra o aumento das tarifas das barcas. De acordo com Igor, essa é uma das bandeiras de luta da entidade. “Vamos tocar essa luta pois compreendemos que é um grande absurdo ter 60% de aumento. O povo não é obrigado a pagar por um  serviço que tem pouca  qualidade. Novas mobilizações estão sendo preparadas para os próximos dias”, finalizou.

Camila Hungria