Nesta semana estudantes do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), do campus de Bambuí, pararam a cidade em protesto contra a implantação de cercas na Moradia Estudantil. Ao retornarem aos alojamentos após o carnaval, os estudantes foram surpreendidos com postes instalados ao redor dos alojamentos, já preparados para receber telas de proteção.
Na terça-feira (21), mais de 300 estudantes, utilizando roupas pretas em sinal de protesto, ganharam as ruas do campus e paralisaram boa parte das aulas, para dizer que não concordam com a implantação da cerca, e exigiam a imediata paralisação das obras.
Após a manifestação dos alunos, que exigiam a presença da Diretoria do Instituto para prestar as devidas explicações à comunidade discente, o Diretor Geral aceitou receber uma comissão de estudantes no dia seguinte para ouvir as reivindicações do movimento.
Durante a reunião os representantes da instituição se mostraram intransigentes e indispostos a negociar, tentando inclusive cercear o direito do representante da União Estadual dos Estudantes de se manifestar.
Alegando que os alambrados serão construídos para controlar o fluxo de pessoas e para oferecer mais segurança aos moradores, as negociações não avançaram, e representantes afirmaram que o IFMG só se posicionará novamente após uma reunião com os pais dos estudantes menores de idade.
Não satisfeitos com a posição da direção e o resultado da reunião, os estudantes voltaram a protestar, desta vez ocupando a praça central da cidade, denunciando para a população local e das cidades vizinhas, através da imprensa, a situação que estão vivendo no IFMG.
Para o Diretor de Políticas Educacionais da UEE-MG, Marcelo Coelho, que participou das manifestações, o problema dos estudantes do IFMG de Bambuí vai muito além da cerca: “a construção do alambrado é apenas o estopim da situação dos estudantes da moradia. Em apenas dois dias que permanecemos aqui, conseguimos identificar uma série de problemas e irregularidades”. Ele garante ainda que os estudantes não vão se intimidar e continuarão protestando: “a direção vem ameaçando os estudantes que estão participando dos protestos, o que é mais uma etapa do regime de ‘presídio’ que estão tentando implementar na moradia, mas os estudantes tem consciência do importante movimento que estão fazendo e com o apoio da UEE e da UNE as manifestações vão continuar”.
A moradia estudantil do IFMG de Bambuí recebe atualmente mais de 300 estudantes, dos cursos técnicos e de graduação, oriundos de diversas partes do país, sendo em sua maioria menores de idade.
Comunicação UEE-MG