Um grande ato aconteceu na última sexta-feira (7/6) no município de Feijó, distante 344 km da capital do Acre, Rio Branco. A manifestação contou com cerca de 1.500 estudantes e o objetivo era protestar contra a má aplicação da política de expansão do ensino superior no estado.

A Universidade Federal do Acre (UFAC) passa por grandes obras estruturais. Isso por conta da realização da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá no estado no próximo mês.

De acordo o diretor da UNE (AC/RO), Jacson Queiroz, a reitoria não se atenta para a política de expansão da instituição. “Em Cruzeiro do Sul, segundo maior Campus do estado, muitos cursos chegam a ficar parados, por falta de professores. A falta de livros nas bibliotecas é um problema, sem falar na política de assistência estudantil”, revela. Ainda segundo ele alguns estudantes questionam a política de bolsas da Universidade que, em alguns casos, geram duvidas na transparência. “O atraso no pagamento é rotineiro, motivo que deixa os acadêmicos revoltados, principalmente estudantes de outras cidades que sobrevivem praticamente só da Bolsa-Permanência. Alguns chegam a desistir de seus cursos, por falta de condições de sobrevivência”, conta.

Há exatamente um ano a reitoria da UFAC se reuniu com a comunidade de Feijó e se comprometeu com a reestruturação do prédio do campus local que está abandonado e sem funcionalidade de curso algum. Com isso, a juventude que sonha com a oportunidade de ingressar no ensino superior precisa morar em Cruzeiro do Sul ou Rio Branco para poder ter acesso à universidade.

Alegando descaso, o movimento estudantil acreano começa nas escolas e na sociedade uma campanha pela implantação da Universidade Estadual do Acre.

Jacson afirma que essa luta precisa ganhar força, para que os estudantes possam pressionar o Governo do Estado da importância de começar um estudo de viabilidade econômica desde já. “Além de democratizar o acesso aos estudantes locais, seria mais uma alternativa de entrada de milhares de jovens de todo ACRE no ensino superior a cada ano. Antes, precisamos cobrar da reitoria da UFAC, investimentos não somente físico, mas principalmente no ensino e na pesquisa. Sabemos que a UFAC é uma das que menos produz pesquisa e extensão no Brasil, isso não pode continuar. A luta está apenas começando e já queremos provocar uma conversa com o governador, para falar da importância de tudo isso”, finaliza.

Uma comissão composta por representantes da sociedade civil, movimento estudantil, câmara municipal e governo do Estado, vai sentar junto à reitoria ainda nesta semana para discutir as pautas colocadas pelo movimento.

Motivação para o ato teve início um dia antes

Na última quinta-feira (5/6), centenas de estudantes da União Educacional do Norte (Uninorte) já haviam feito uma manifestação que começou nos corredores da universidade e foi até a rua, fechando o acesso ao bloco D da faculdade. A manifestação ocorreu após vários estudantes presenciarem a truculência com que a polícia e a vigilância sanitária trataram um ambulante que vendia lanches a preços populares na porta da universidade.

Os alunos se queixaram que a polícia faz presença para retirar um trabalhador, mas é ausente na segurança preventiva do campus, onde diversos alunos já foram assaltados. Os valores da alimentação dentro da faculdade também foram questionados.

O aluno de arquitetura, Francisco Souza, conta que a manifestação ocorreu pacificamente. Não houve depredação nem mesmo desentendimentos. “Começamos na frente, levamos faixas e cartazes chamando todos os alunos. Aos poucos pararam as aulas, até que todos aderiram”, diz. Há relatos de que os alunos foram coagidos e alguns até ameaçados por funcionários.

O ato iniciou com essas duas pautas, porém serviu como espaço para outras reivindicações, como o preço abusivo da fotocópia, a baixa qualidade do lanche, a não devolução das provas, ausência de segurança interna, poucas salas com equipamentos multimídias, pelo passe livre intermunicipal para os estudantes adjacentes da capital, wifi livre e o preço das taxas administrativas. Segundo Francisco, essas taxas administrativas não deveriam estar sendo cobradas. “O DCE já entrou na justiça e ganhamos, pois essas taxas já estão incluídas nos serviços. Aos poucos a universidade foi novamente impondo taxas”, denuncia.

O movimento finalizou em uma assembleia da qual foi retirada uma comissão de dez alunos que estarão formalizando um abaixo assinado sobre as demandas e necessidade dos estudantes.

 Yuri Salvador