Para alguns estudantes do Ensino Superior privado o início do ano letivo começou turbulento devido aos problemas em relação às mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). No que refere ao compromisso das Instituições de Ensino o Ministério da Educação (MEC) anunciou uma série de medidas que ameaçam o repasse do financiamento das instituições que não apresentavam contrapartida em atender critérios de qualidade de ensino, pesquisa e extensão entre outras coisas.

Para a UNE tais medidas e principalmente o bloqueio do Fies para as Instituições de Ensino Superior Privado que reajustaram a mensalidade acima de 6,41% da inflação, sem justificativa é importante para combater a mercantilização do ensino uma vez que diversas universidades são negligentes com critérios mínimos para a oferta de cursos, com a única finalidade de lucro.

“Mas a cobrança devida sobre as IES acabou chegando aos estudantes que ainda estão convivendo com a ameaça de terem os estudos prejudicados. É por isso que o Ensino Privado precisa urgentemente de regulação definitiva e a aprovação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes)”, destacou a presidenta da UNE, Vic Barros. A entidade divulgou uma nota sobre o assunto leia aqui.

Além disso, o congestionamento do site do programa, o Sisfies, devido à alta procura acabou gerando filas imensas nas instituições como na FMU em São Paulo. Os estudantes protestaram na semana passada pedindo atendimento adequado. A UNE tem defendido o direito de milhares de estudantes que tem se manifestado cobrando soluções das universidades e do MEC nesta questão bem como melhorias nas instituições.

A entidade que representa quase 10 milhões de estudantes se colocou à disposição para lutar por todo e qualquer estudante que enfrenta algum problema no seu contrato na retomada dos estudos em 2015. Através do endereço [email protected] a entidade vai encaminhar ao Ministério da Educação as reclamações dos estudantes e pressionar para que os estudantes não sejam mais prejudicados.

SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os estudantes da Furb estão realizaram nesta segunda-feira uma paralisação em Blumenau que saiu da universidade e ganhou as ruas da cidade chamando atenção para os problemas na renovação dos financiamentos do Fies. A Furb é uma instituição pública de caráter privado e de acordo com o presidente do DCE, John Maicon Albanis, cerca de 30% dos estudantes da universidade, ou seja, 2.600 alunos dependem do programa do governo federal para estudar. “Temos uma Lei Orgânica no município que prevê o repasse de verbas para a instituição, mas há 3 anos isso não acontece. A nossa mobilização quer chamar atenção do governo federal, estadual e municipal. Além disso, queremos que a universidade busque incentivo privado para não depender só das mensalidades”, explicou.

BAHIA

Na Bahia, em Salvador, a Faculdade Maurício de Nassau, tem mil estudantes que não conseguiram fazer o aditamento dos contratos desde o segundo semestre de 2014. De acordo com o diretor da UEB, Thiago Dantas, a instituição quer que os estudantes assinem uma concessão de dívida com as valores da diferença entre o valor do aumento da mensalidade e o índice da inflação. A UNE está exigindo do MEC a devida fiscalização e punição dos gestores que tem agido dessa forma, pois os estudantes e as estudantes atendidos pelo FIES não têm a obrigação de pagar uma conta que deveria ser da universidade.

“Ficamos sem saber qual é o real problema. A instituição omite informações e coloca toda a culpa no Programa, e a comissão de acompanhamento do Fies na instituição é desconhecida”, afirmou Dantas.

Alguns estudantes entraram com uma ação judicial coletiva para poder retomar os estudos.

Em Itabuna, Sul do estado, de acordo com a representante da UNE, Greace Kelly Oliveira, estudantes da UNIME fizeram uma manifestação na última quarta-feira, 11/03, fechando a entrada da instituição. Lá além dos problemas com aditamento dos contratos os estudantes estão reivindicando melhorias no ensino.

“As salas estão superlotadas, existem algumas com quase 180 alunos, nos laboratórios falta estruturas e materiais, os estacionamentos não tem iluminação e agora quem perdeu ou reprovou em alguma disciplina só pode refazê-la por um curso à distância”, afirmou. E continua: “aqui só vemos aumento de mensalidade e nenhuma estrutura”.

MINAS GERAIS

Em Minas Gerais de acordo com o presidente da UEE-MG, Paulo Sérgio, a PUC também está emitindo boletos com os valores excedentes para os estudantes. Os estudantes do Centro Universitário Una e da UniBH também estão tendo transtornos para renovarem o contrato. “Na Una a instituição está criando um clima de que o problema é do sistema do Fies e do governo apenas”, destacou.

SÃO PAULO

Nesta segunda-feira também uma assembleia universitária reuniu cerca de 250 estudantes da Universidade de Sorocaba (Uniso) que repudiaram o aumento da mensalidade dos cursos. Segundo eles as mensalidades subiram 8,99% e cerca de 2 mil estudantes utilizam o Fies para financiar. A respeito dos problemas nos contratos os estudantes afirmam que estão em um fogo cruzado entre o MEC e a instituição. Na capital ainda estudantes da FMU, Uninove, Anhanguera e da PUC também estão enfrentando dificuldades.

OUTROS ESTADOS

A UNE também acompanhou manifestação dos estudantes do Fies no Ceará, no Acre e em Goiás. Em Fortaleza estudantes da Unifor conseguiram uma grande vitória e pressionaram a instituição a baixar pela metade o aumento da mensalidade. Leia mais aqui.

Cristiane Tada