Com o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), um protesto contra os abusivos aumentos de mensalidades foi realizado na noite da última terça-feira na Universidade Nove de Julho (Uninove), do campus Vergueiro. O ato fez parte do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Educação, promovido pelas entidades estudantis em todo Brasil.

Munidos de narizes de palhaço, cartazes e apitos, os estudantes pularam as catracas da universidade, pedindo o congelamento das mensalidades, um novo sistema de recuperação de alunos e a mudança no método de avaliação que hoje exige duas provas integradas no mesmo semestre.

Para a presidenta da UEE-SP e estudante da instituição, Carina Vitral, a reitoria não pode mais se omitir frente aos escandalosos aumentos e decisões arbitrárias no sistema de avaliação. ‘’Nós voltamos para as salas de aula com cinquenta, cem reais a mais no boleto. A pergunta que fica é: a reitoria vai melhorar a estrutura das salas de aula, dos laboratórios, das clínicas odontológicas? Outro absurdo é a criação de mais uma prova integrada, tirando autonomia do professor de passar trabalhos ou outros métodos pedagógicos por ele escolhidos’’, protestou.

Durante o ato houve repressão por parte dos seguranças da instituição que tentaram impedir a entrada dos manifestantes. A polícia militar também foi chamada.

‘’Os seguranças e policiais nos seguiam pelos corredores enquanto tentávamos passar de sala em sala para convocar mais estudantes para o nosso ato. Os coordenadores dos cursos foram chamados para coibir os alunos a não participar. Fizeram de tudo para nos desmobilizar ’’, contou o diretor da UEE-SP, Bruno Reis.

Formada por mais de 100 mil alunos, a UNINOVE é atualmente o terceiro maior grupo educacional do país, sendo a maior instituição de ensino superior privado em São Paulo. Só no campus Memorial, 40 mil alunos estudam no período noturno.

Para a estudante do curso de Odontologia, Karen Matias, apesar dos contratempos, a manifestação foi importante. ‘’A universidade não tem uma cadeira que preste, um retroprojetor que preste. Isto é um absurdo. A gente escolheu a universidade, a gente quer se formar aqui, mas precisamos lutar por melhorias’’, disse.

A manifestação durou cerca de 3 horas e percorreu todos os corredores da universidade. Ao final do ato, mais um grande apitaço foi realizado em frente à sala da reitoria, protegida por dez seguranças. Palavras de ordem como ‘’vem pra UNINOVE contra o aumento’’ e ‘’eu pago não deveria, educação não é mercadoria’’ ecoaram pela instituição. Contudo, o reitor e a coordenação não compareceram para dialogar.

‘’Saímos vitoriosos. Já no segundo dia de aula os alunos viram a truculência da reitoria. Fizemos um ato pacífico e conseguimos mostrar que nossas reivindicações têm apoio dos estudantes. Tentaram nos calar, mas fomos aplaudidos emvárias salas de aula. Esse é só o começo da luta’’, finalizou a presidenta da UEE-SP.

Renata Bars