No início do ano, os estudantes da Universidade da Cidade (UNICID) foram surpreendidos com a notícia da venda da instituição para o Grupo Cruzeiro do Sul Educacional. Agora, prestes a encerrar o ano letivo, as mudanças desta negociação milionária começam a vir à tona. Desde então, uma série de atos, manifestações e paralisações tomaram conta do campus da universidade, localizada no bairro do Tatuapé, zona leste da capital paulista. 

Com a compra da UNICID, a grade curricular dos cursos em andamento será modificada de acordo com os já oferecidos pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSCUL). A decisão foi tomada sem o consentimento dos alunos, que também temem a entrada de disciplinas no sistema de ensino à distância.

Os estudantes classificam como drástica a mudança pedagógica proposta pelo grupo comprador e reivindicam que a matriz curricular permaneça inalterada com o método EpC (Ensino para Compreensão), por módulos. 

Inflação de 9%?

No curso de medicina, segundo o estudante, Fábio Abrahão Amanthea a preocupação não é a grade curricular já que o reitor da universidade, Luiz Henrique Amaral assinou um documento se comprometendo a não modificar as aulas do curso. A apreensão no entanto é com o aumento abusivo das mensalidades. 

De acordo com os estudantes, o valor pago mensalmente de R$ 4.830 terá um reajuste de 9%, elevando o custo para cerca de R$ 5.200,00. Para os ingressantes em 2013, a mensalidade inicial será de R$ 5.613,50. Em reuniões, a reitoria indagada sobre o aumento rebate dizendo ser reflexo da inflação. 

Outra preocupação com Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), benefício que contempla 45% dos estudantes de medicina. Com o aumento, o valor semestral oferecido pelo programa não contemplará o valor da mensalidade. “Se eu perder o meu benefício do FIES, terei apenas 6 meses para começar a pagar os valores que recebi”, conta Amanthea. 

A carência de computadores novos, bibliotecas e salas estruturadas não é a maior aversão. Com o corte de gastos aplicado durante todo o ano, a falta de profissionais abriu uma lacuna na segurança física da instituição, o que ocasionou em um assalto à agência bancária dentro do campus da universidade, que envolveu como reféns, três estudantes de medicina. 

Durante o exame para vestibular de medicina realizado ontem (30/11) na instituição, estudantes de diversos cursos se reuniram na porta da universidade para protestar. Durante todo o tempo que estiveram com cartazes, apitos e bateria universitária, os estudantes foram observados pela Polícia Militar que, em determinado momento, intimidou com o lançamento de uma bomba de efeito moral do lado oposto aos estudantes. 

Pela internet, os estudantes vem se organizado por meio de uma página no Facebook chamada “Diga não à regressão”. Uma petição pública contra a troca de matriz curricular também foi criada e pode ser assinada aqui.

Educação não é mercadoria 

A UEE-SP acredita ser inaceitável o tratamento da educação como mercadoria, lutando sempre a favor de um ensino superior de qualidade com espaço aberto para o diálogo entre instituição e estudantes. 

“Tem que haver transparência na planilha financeira das universidades com critérios justos para o reajuste de mensalidades. Além disso, a grade curricular contratada pelo estudante deve ser respeitada sempre. Tais conquistas só serão possíveis quando o ensino privado for devidamente regulamentado no país’’, declarou o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva.

 Confira o vídeo da manifestação dos estudantes da UNICID contra o novo método de ensino imposto pela UNICSUL: 

Thatiane Ferrari (UEE-SP)