Manifestando a indignação contra a série de sindicâncias abertas pela reitoria da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), estudantes do campus de Franca realizaram, nesta terça-feira (4/12), um ato à favor da liberdade.
Uma oficina de cartazes, assembleia e ato pacífico marcaram o início das mobilizações, que terminou com uma aula pública sobre “Criminalização dos Movimentos Populares”, com o professor-membro do Núcleo de Estudos do Direito Alternativo, Machado.
As manifestações estudantis tiveram início quando a diretoria da UNESP Franca anunciou, no final do mês passado, a abertura de um processo de sindicância contra 31 alunos pela realização de um protesto em agosto deste ano, durante uma palestra do príncipe e herdeiro da família real brasileira, Bertrand de Orléans-Bragança na universidade.
Estudantes alegam que a escolha dos sindicados pela instituição foi aleatória, já que alguns dos universitários apontados não estavam presentes no ato. Questões estudantis, sexuais, éticas e morais tem sido alvo de investigações dentro da UNESP.
Um dos sindicados, o estudante Adriano Favasim, aponta para a precariedade do regimento interno da UNESP, que, desde sua fundação em 1973, teve apenas uma rediscussão em 1985 pelos mesmos dirigentes. “É preciso uma articulação estadual com uma assembleia livre que crie democraticamente um estatuto soberano com todos os seguimentos da universidade”, acredita.
Estudantes de outros campi da universidade e até de outras instituições como USP e UNICAMP participaram da mobilização. De Bauru, o Diretório Acadêmico “Cesar Lattes” mobilizou o recolhimento de assinaturas para uma moção de repúdio às sindicâncias.
“A UEE-SP se posiciona contra qualquer tipo de sindicância que tenha como iniciativa para cercear a liberdade estudantil”, afirma o presidente da entidade, Alexandre Silva.
Na berlinda
A estudante de ciências econômicas da UNESP de Araraquara, Jorgilene Maciel, residente na Moradia Estudantil da Fclar foi sindicada pela portaria da diretoria n°19 de 11 de Setembro, acusada de: efetuar barulho, ingerir bebida alcoólica no interior da moradia e praticar ato obsceno e sexual em grupo perante as pessoas.
Ela conta que viu sua vida particular ser exposta à toda a comunidade acadêmica. “Tive que detalhar minha vida sexual à uma comissão formada por docentes da UNESP, a fim de que esses avaliassem se a maneira como eu me comporto sexualmente em um quarto fechado deveria ser punida ou não com a minha expulsão da universidade”, descreve a estudante, indignada.
A denúncia foi feita por meio de uma carta anônima enviada para a direção da universidade. Sem provas concretas contra seus atos, a estudante aguarda a sua sentença.
Thatiane Ferrari (UEE-SP)