Cerca de 1.500 estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus de Lagarto, deflagraram greve estudantil no último dia 25 de abril e ocupam, desde então, o campus com atividades e discussões sobre dos problemas da instituição.

O primeiro a paralisar foi o curso de Fonoaudiologia. Depois, uma Assembleia Geral extraordinária reuniu mais sete Centros Acadêmicos (Farmácia, Nutrição, Odontologia, Fisioterapia, Medicina, Terapia Ocupacional, e Enfermagem) e foi decidido que todos iriam aderir à greve.

“Nós, discentes, entendemos que somos responsáveis pela nossa universidade e pelo papel que ela tem a desempenhar em nossa sociedade, além de nos sentirmos prejudicados com a precariedade do Campus da UFS Lagarto. Queremos nos formar academicamente, mas, além disso, temos que ter comprometimento e responsabilidade na qualidade de nossa formação”, diz trecho da carta de reivindicações do comando de greve.

Segundo eles, a falta de estrutura tem prejudicado o rendimento dos universitários que não dispõe de nem ao menos uma biblioteca que contemple o material de estudo de todos os cursos. Os estudantes também reivindicam a falta de local para poderem desenvolver a formação com estágios. Eles cobram do governo estadual, municipal e da UFS a construção do prédio definitivo, uma vez que os locais provisórios onde têm estudado até agora não contemplam as aulas práticas necessárias.

A estudante do 3º ano de fonoaudiologia Caroline Oliveira dos Santos conta que teve apenas uma aula prática até hoje. “Somos mais prejudicados porque o nosso campus de saúde o método de ensino é PBL [Problem Based Learning –onde os professores têm papel de tutores e o estudante é o principal gerador de conhecimento ao procurar e pesquisar as informações que necessitam nos estudos de casos] que tem uma característica prática de ensino, valorizando a comunidade, temos disciplinas práticas desde o primeiro ano na nossa grade”, explicou ela.

Na última segunda-feira (12/05), os professores do campus também paralisaram as aulas em apoio aos estudantes. O Comando Local de Greve Estudantil listou as principais pautas de reivindicação:

– Disponibilização de um cronograma atualizado do andamento das obras do Campus definitivo;

– Implantação de uma policlínica;

– Implantação do restaurante universitário no campus;

– Federalização do hospital regional de Lagarto, para que o mesmo se torne o hospital universitário do campus.

– Melhoria da infraestrutura dos espaços de aula (salas, laboratórios, clínica escola etc);

– Implementação de um transporte circular entre o campus provisório e seus anexos;

– Construção das residências universitárias no campus;

– Ampliação da assistência e apoio psicopedagógico aos discentes;

– Criação e ampliação dos auxílios de assistência estudantil;

 – Ampliação do acervo e do espaço da biblioteca;

 – Criação de um espaço próprio para desenvolver as atividades de pesquisa e extensão;

– Melhoria do suporte para desenvolver ações culturais o campus.

– Estágios/Internatos: convênios com hospitais, clínicas, prefeituras e governo do Estado para disponibilizar locais de estágio apropriados e com preceptores disponíveis.

AVANÇOS

Os estudantes estiveram reunidos com o reitor Angelo Roberto Antoniolli no último dia (6/5) e também com a secretária de Saúde do Estado, Joélia Silva Santos, e avançaram em algumas pautas como na questão do transporte, que foi encaminhado para o Governo do Estado. Sobre o hospital, a reivindicação também avançou com a redação de um documento que assegura a sua federalização. Os estudantes aguardam a assinatura do documento.

De acordo com Taíres Santos, estudante de Farmácia e integrante do comando de greve, para a volta às aulas o que os estudantes necessitam é uma infraestrutura mínima de estudo. Os técnicos administrativos do campus também estão em greve e sem eles não há como utilizar, por exemplo, a biblioteca, tão necessária em cursos do método PBL. No dia 20 de maio, uma reunião com o Ministro da Educação, Henrique Paim, está marcada em Brasília. “Listamos as questões mais críticas, as que precisam de resolução imediata e vamos entregar ao ministro. Enquanto elas não forem sanadas, não há como voltar a universidade”, afirmou Taíres.

Cristiane Tada