Na última terça feira (21/8) cerca de 100 estudantes da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), campus Paranaíba, foram intimidados por policiais durante uma manifestação contra o corte de verbas das fundações do governo estadual, anunciado pelo governador do estado, André Puccinelli.

O ato que teve início na Praça da República seguiu pelas ruas centrais do município, coincidindo com a carreata de um dos candidatos a prefeito, quando houve o conflito. Na ocasião, viaturas avançaram em direção aos manifestantes e um estudante foi detido.

Em nota publicada pelo movimento estudantil de Mato Grosso do Sul, os estudantes afirmam que a prisão foi incoerente e injustificada.

‘’A ação policial foi truculenta, opressiva e intimidadora. Um estudante foi preso sem qualquer razão coerente, levado à delegacia para averiguação, sendo acusado posteriormente de desacato’’.

O decreto nº 13.467, que gerou a manifestação, foi publicado no Diário Oficial do estado no último dia 19. Para os estudantes, o corte de 20% das despesas de custeio das entidades da administração, direta e indireta, das autarquias e das fundações do governo é infundado. O argumento é de que não houve queda na arrecadação estadual.

‘’É importante dizer que não desistimos e não vamos desistir da luta, estamos unidos por uma boa causa, queremos uma UEMS que cresça e não podemos aceitar calados um corte de 20% do que já era ridiculamente pouco. Reivindicamos investimentos para a universidade em todos os setores, pois não há na UEMS setor que não careça de melhorias’’, afirmaram os estudantes em nota.

Renata Bars

Leia, abaixo, a íntegra do documento

A luta contra o coronelismo continua, cem anos depois

Nós, estudantes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) unidade de Paranaíba, vimos a público manifestar repúdio à ação policial truculenta, opressiva e intimidadora ocorrida ontem, 21 de agosto, em que um dos estudantes foi preso sem qualquer razão coerente, levado à delegacia para “averiguação”, sendo acusado posteriormente de desacato, sob o falso pretexto de ter cuspido numa viatura.

Nosso objetivo enquanto movimento estudantil foi o de manifestarmo-nos contra o decreto n° 13.467 publicado nesta quinta-feira, 19, no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul, assinado pelo governador André Puccinelli. O decreto em questão determina uma redução em 20% das despesas de custeio das entidades da administração direta e indireta, das autarquias e das fundações do governo estadual, o que inclui a UEMS.

Tal redução foi justificada pela alegação de que houve queda na arrecadação estadual. No entanto o Portal da Transparência do estado de Mato Grosso do Sul mostra o contrário. Considerando a impossibilidade da redução estipulada e a ilegitimidade da justificativa, e tendo conhecimento da vinda do governador à cidade, nós acadêmicos convocamos assembleias e discutimos ações de protesto de cunho pacífico e reivindicatório, sem nenhuma vinculação político-partidarista.

Ainda assim, logo que nos reunimos e saímos às ruas notamos grande quantidade de policiais militares e, com a chegada do governador, observamos a presença da ROTAI (Rondas Ostensivas Táticas do Interior) que é uma unidade operacional da polícia militar, e tem por missão atuar preventiva e/ou repressivamente contra a chamada “criminalidade violenta”. Mas nesse caso convocada, com todo o seu armamento pesado ostensivo, para “Garantir exclusivamente a integridade do chefe do executivo”, segundo o próprio tenente. E a forma utilizada pela ROTAI para zelar pela segurança do governador foi ostentar seus enormes fuzis, avançar com seus veículos em direção aos manifestantes e por fim prender estudante sem nenhuma justificativa razoável.

Além disso, houve pressões e ameaças de todo tipo para conter a manifestação. Pessoas ligadas a partidos políticos entraram em contato com alguns integrantes do movimento, ligando nos aparelhos telefônicos pessoais dos mesmos para ‘alertar’ sobre possíveis ‘surpresas’ caso continuássemos com o protesto. Também o apoio da polícia já não nos parecia confiável. Dadas as circunstâncias, a segunda parte da programação estabelecida sofreu alterações, não pudemos ir até o local onde o governador estaria a noite, pois receávamos mais violência. Fomos a um debate entre candidatos onde possivelmente o governador apareceria.

Porém, não apareceu. Mas o nosso protesto se desenrolou como planejado para a ocasião, fomos em grande número, todos juntos, amarrados uns aos outros e amordaçados. Não havia presença da polícia nesse momento. Levamos cartazes com nossos protestos e reivindicações, e a noite acabou sem mais problemas.

É importante dizer que não desistimos e não vamos desistir da luta, estamos unidos por uma boa causa, queremos uma UEMS que cresça e não podemos aceitar, calados, um corte de 20% do que já era ridiculamente pouco. Reivindicamos investimentos para a Universidade em todos os setores, pois não há na UEMS setor que não careça de melhorias.