Foi realizada na noite desta quarta-feira (21/11) uma assembleia pública no Teatro da Universidade Católica de São Paulo para definir os rumos contra a deliberação da Fundação São Paulo (FUNDASP) em nomear como reitora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) a última candidata de uma lista tríplice. Mais de mil estudantes estiveram no ato em defesa da democracia universitária, “valor histórico construído pela instituição”, como reafirmaram todos os presentes.
Durante o encontro, estudantes e professores votaram pela continuação da paralisação geral por tempo indeterminado. Já os funcionários, que ainda não tinham oficializado o apoio, anunciaram a participação na greve.
Foram convidados a participarem da assembleia, representantes da FUNDASP, o cardeal arcebispo de São Paulo Odilo Scherer, os candidatos a reitores. De acordo com os estudantes, apenas o ex-reitor Dirceu de Mello – vencedor democrático da eleição- e sua vice Marcela Peçanha, estiram presentes apoiando o movimento e afirmando que não recuarão.
Segundo o coordenador da comissão de ocupação da PUC, Roberto de Oliveira, durante a assembleia os estudantes resgataram a memória da luta democrática sempre presente na universidade e avaliaram os reais significados da nomeação como “perda de autonomia acadêmica, elitização, mercantilização e maior intervenção da Igreja Católica na liberdade de expressão e de cátedra universitárias”.
Em apoio aos estudantes da PUC, a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) participou das assembleias dentro da instituição e lançou uma nota, condenando a atitude antidemocrática da FUNDASP em nomear como reitora a última candidata de uma lista tríplice.
Entenda a paralisação
A greve deflagrada por estudantes, docentes e funcionários da instituição é contra a nomeação da professora de letras Anna Maria Marques Cintra para o cargo de reitora da instituição. Terceira e última colocada nas eleições, Anna Maria foi designada para a função pelo grão-chanceler da instituição, o cardeal arcebispo de São Paulo Odilo Scherer.
A eleição direta, realizada em agosto, foi vencida pelo atual reitor da universidade, Dirceu de Mello. Durante os debates eleitorais no mesmo período, os três candidatos ao cargo assinaram um termo de compromisso abdicando assumir a reitoria caso não fossem o mais votado.
Em matéria publicada no site da PUC, a instituição informa que o Cardeal enviou uma carta de agradecimento ao Professor Dirceu de Mello, atual reitor da PUC, reconhecendo seus trabalhos à frente da Universidade, nos últimos quatro anos.
“A UEE-SP permanecerá apoiando de forma irrestrita a militância estudantil pela luta da comunidade acadêmica da PUC-SP em defesa da democracia na universidade”, aponta o presidente da entidade, Alexandre Silva.
Programação
Sexta-feira (23 de novembro)
Campus Perdizes/Monte Alegre
7h – Mobilização (Passagem em sala; Panfletagem; Cadeiraço)
9h – Aula Pública “Educação Plural e Laica na PUC-SP”
Com Prof das Católicas pelo Direito de Decidir, Frente Feminista da PUCSP, Prof Jorge Cláudio (Departamento de Teologia); Prof Silvia Pimental (Direito), militante do movimento feminista e ex-aluna Luka
14h – Atividade Cinema na Universidade (Professor Mauro – Geografia)
19h – Baterias na Fundação São Paulo
22h – Festa de Resistência SambaBenê Afro (Organizado pelos estudantes)
Campus Marques
Unificado com Campus Perdizes/Monte Alegre
Thatiane Ferrari (UEE-SP)