Estudantes de todas as unidades da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) realizaram nesta quinta-feira (1), uma grande manifestação no Campus Coração Eucarística contra o aumento de 9,8% no valor das mensalidades.
Entoando gritos de ordem como “reitor eu não me engano, o meu dinheiro vai pro Vaticano” e “PUC mercenária, para de bancar humanitária”, os mais de 4.000 estudantes que participaram dos atos, paralisaram a maioria das aulas e ocuparam as ruas do campus exigindo a revogação do aumento não justificado.
Após a manifestação do turno da manhã, com a participação de cerca de mil estudantes que exigiam a presença do reitor para prestar as devidas explicações, a reitoria enviou um representante que recebeu uma comissão de estudantes para ouvir as reivindicações da comunidade discente, apontando um indicativo de reunião com o reitor para a próxima semana.
Não satisfeitos com os encaminhamentos dados pela universidade na reunião, os estudantes do noturno ganharam novamente as ruas do campus universitário, em uma manifestação ainda maior que dessa vez contou com a presença de mais de três mil estudantes, que marcharam por todo o campus. Para fechar o ato, os estudantes ocuparam de maneira pacifica a avenida em frente a portaria principal do campus, por cerca de 40 minutos para a realização de uma assembleia.
Na assembleia os estudantes deliberaram a realização no dia 13 de março de uma jornada de lutas em todas as unidades da PUC Minas simultaneamente. A assembleia também encaminhou a formação de uma comissão de Diretórios Acadêmicos e entidades gerais que será responsável por organizar uma conta judicial para que todos os estudantes depositem o valor de suas mensalidades em judice, até que a universidade acate as reivindicações dos estudantes.
Para o Diretor de Politicas Educacionais da UEE-MG e estudante da PUC-Minas, Marcelo Coelho, os estudantes não vão se intimidar e continuarão protestando até que a universidade de fato negocie “As manifestações não vão parar por aqui, há muitos anos sofremos com o abusivo aumento das mensalidades e a intransigência por parte da PUC em não negociar, desta vez será diferente”.
Nos últimos três anos, as mensalidades acumulam um aumento de quase 25%, muito acima da inflação. Além do aumento abusivo, os estudantes também denunciam a precariedade da estrutura e dos laboratórios da universidade, além da falta de reajuste nas bolsas de monitoria, pesquisa e extensão que não sofrem aumento a 6 anos, o fim das bolsas sociais e a precarização do trabalho dos professores. “Queremos a revogação imediata do aumento, reajuste do valor das bolsas de extensão e pesquisa que há vários anos não tem reajuste, e um plano de assistência estudantil que vá além das bolsas do PROUNI, como por exemplo um Restaurante Universitário com preço popular”, afirma Roney Marques, estudante do curso de Ciências Sociais PUC e do Diretório Acadêmico de Ciências Sociais.
Para Rafael Leal, presidente da UEE-MG, o dia 13 tem que ficar marcado na história da PUC-Minas. “Temos que parar todos os campi, ocupar os corredores, cantar nossas palavras de ordens e mostrar para a reitoria que os estudantes não vão parar enquanto não houver negociação, não só da matricula, mas também das questões como qualidade, infraestrutura e assistência estudantil. A educação é um instrumento de transformação social e não mercadoria”.
Marcelo Coelho