A árdua luta dos estudantes das universidades Gama Filho e UniverCidade tornou-se um dos grandes símbolos contra os desmandos existentes no setor educacional privado no Brasil. Há cerca de duas semanas acampados em Brasília e organizando manifestações, os alunos seguem firmes contra o descredenciamento efetivado pelo Ministério da Educação (MEC) no último dia 14/1.

Para reivindicar seus direitos, os estudantes chegaram a ocupar o prédio do MEC, no dia 7/1, exercendo pressão fundamental para chegar ao diálogo com os representantes do ministério. No entanto, o então ministro da educação Aloizio Mercadante, sinalizou o descredenciamento das duas instituições.

‘’Foi um baque quando o ministro deu a notícia. Mas nós não desistimos e nem iremos desistir. Durante o processo de descredenciamento o MEC ainda tem a possibilidade de realizar uma intervenção nas instituições’’, argumentou a diretora de relações externas do DCE Gama Filho, Ana Flávia Hissa.

De lá pra cá três manifestações realizadas na cidade de origem das instituições, o Rio de Janeiro, e reuniram mais de três mil pessoas. Os estudantes chegaram a protocolar um ofício solicitando audiência pública com a presidenta Dilma Roussef e também se reuniram com a procuradoria do Ministério Público do Rio, solicitando a intervenção nas universidades e o fim do descredenciamento.

Presente no ato e nas mobilizações, a presidenta da UNE, Virgínia Barros, afirmou que a decisão tomada pelo MEC não soluciona o problema dos estudantes. ‘’ Hoje todos esses milhares de alunos estão sem estudar e sem pertencer a nenhuma instituição. O MEC teve dois anos para resolver a situação da UGF e UniverCidade. Eles não podem apresentar o descredenciamento como única solução’’, argumentou.

ACAMPAMENTO DA RESISTÊNCIA

Dormindo em barracas que ora são autorizadas pela polícia do Palácio do Planalto, ora não são, os estudantes que permanecem em Brasília enfrentam chuva, frio e até perigos como escorpiões em seus alojamentos. Contudo, a motivação continua.

‘’Só vamos sair quando nossos problemas forem solucionados. Queremos que alguém nos receba e converse conosco para que pelo menos o processo de transferência assistida nos seja de fato assegurado’’, falou o diretor da UNE, Mateus Weber.

Enquanto isso, um novo ato está marcado para acontecer no centro do Rio de Janeiro, na tarde da próxima terça-feira (21/1).

Para Mateus, as mobilizações mostram que os estudantes querem respostas concretas e não aceitam o descredenciamento como única solução. ‘’ Queremos uma garantia sólida, continuaremos pressionando’’, disse.

ENTENDA A CRISE

A crise que atinge duas das maiores redes de ensino superior privado do Rio de Janeiro – UniverCidade e Gama Filho, acontece há cerca de três anos mas, se agravou em 2012. Na época, o grupo Galileo demitiu 410 profissionais de educação. Muitos dos professores demitidos ainda não receberam o dinheiro referente à rescisão de contrato. Juntas, as duas instituições têm dívidas no valor de R$ 900 milhões, segundo a Galileo Educacional.

Em dezembro do ano passado, o MEC suspendeu os vestibulares da UniverCidade e da Universidade Gama Filho.

O ministério também determinou a instauração de um processo administrativo para a aplicação de penalidades, já que as duas instituições teriam descumprido termos de saneamento de deficiências firmados com o MEC.

Em julho, alunos da Gama Filho chegaram a ocupar a reitoria da instituição reivindicando a saída da Galileo Educacional do controle da instituição.

Renata Bars