Assim como os estudantes brasileiros que saíram às ruas nesta semana para pedir maiores investimentos na educação, nesta quinta-feira (28), estudantes chilenos também marcharam contra o lucro no ensino. A passeata, convocada por movimentos estudantis e apoiada por organizações trabalhistas, percorreu a Alameda, em Santiago, no Chile. Estimativas apontam que cerca de 120 mil pessoas participaram da manifestação. 

Apesar de ser uma mobilização pacífica, notícias dão conta de momentos de confronto entre estudantes e policiais. De acordo com informações de Telesur, a marcha foi reprimida por policiais que lançaram gás lacrimogêneo e água. Os estudantes exigem a criação de um novo Sistema Nacional de Educação, pública, gratuita, autônoma, democrática, pluralista, intercultural e de excelência.  

Em sua conta no twitter, Gabriel Boric, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), solicitou aos manifestantes a não entrarem em confronto com os policiais. “Faço um chamado aos estudantes a não cair nas provocações do governo e das Forças Especiais que só buscam criminalizar o movimento estudantil”, pediu.  

“Essa marcha mostra para aqueles que diziam que o movimento estudantil chileno havia se desarticulado, que os estudantes chilenos seguem vivos e as lutas seguem com força. A batalha dos estudantes chilenos é um importante referencial que tem ajudado a impulsionar as lutas em todo o continente. Junto aos estudantes do Chile se somam os estudantes brasileiros pelos 10% do PIB para a educação, dos estudantes colombianos contra a mercantilização e a criminalização da luta, na Nicarágua por 6% do PIB e contra a ingerência do USAID na educação desse pais e de Honduras”, afirma do diretor da UNE e secretário-executivo da OCLAE, Mateus Fiorentini.

Convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), Colégio de Professores, Coordenadora Nacional de Estudantes Secundaristas (Cones), Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Aces), a marcha contou com a participação de estudantes secundaristas e universitários, além de trabalhadores, professores e representantes de organizações de defesa dos direitos humanos. 

O ato foi mais uma atividade organizada pelos estudantes em rechaço ao lucro no sistema educacional chileno. Nesta semana, por exemplo, a Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech) participou de um fórum sobre o assunto. Na ocasião, a diretora do Instituto de Comunicação e Imagem da Universidade do Chile, María Olivia Mönckeberg, apresentou nomes de alguns donos e diretores de universidades privadas que lucram com a educação no país, como integrantes da junta diretora da Universidade de Las Américas (UDLA).

 Na semana passada, lideranças estudantis solicitaram ao presidente da Câmara dos Deputados a divulgação do relatório da comissão de investigação que denuncia o lucro em algumas universidades. 

Da redação com Adital