Na manhã desta quarta-feira (25), estudantes chilenos saíram pela primeira vez em 2012 às ruas para lutar por uma educação pública de qualidade e gratuita. A marcha contou com a presença de cerca de 200 mil estudantes, na cidade de Santiago, fazendo parte da chamada Jornada Continental de Lutas – mobilização que desde março vem trazendo às ruas jovens latino-americanos e caribenhos para lutarem contra a mercantilização da educação.

A manifestação foi convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (CONFECH), que considerou insuficiente a proposta anunciada pelo governo na última segunda (23), para o sistema de crédito usado pelos estudantes. Segundo essa nova medida, o financiamento estudantil ficaria a cargo do estado e não mais dos bancos privados, o que, para as entidades estudantis apenas ‘’realoca’’ a dívida.

Aos gritos de ‘’Educación – no les compro, ni la vendo – Lo endeudamiento no es la solucion’’ (Educação– nem comprar , nem vender – o endividamento não é a solução), os estudantes liderados por Gabriel Boric e Camila Vallejo, presidente e vice-presidente da CONFECH, respectivamente, tomaram a Praça Itália, no centro da cidade, passando pela Casa da Moneda, residência presidencial, e terminando na Praça dos Heróis, em frente à embaixada do Brasil.

Os protestos chilenos tiveram início no ano passado, com a mobilização de milhares de estudantes exigindo a extinção de um processo iniciado em 1981, quando uma reforma do governo acabou com a gratuidade da educação chilena, eliminando grande parte dos recursos que iam para as universidades estatais. Atualmente no país, os alunos de universidades públicas são responsáveis por 75% do financiamento de seus cursos, e o governo 25%.

Em entrevista à CNN chilena, o presidente da CONFECH,Gabriel Boric, afirmou estar contente com grande adesão dos estudantes e do povo à manifestação. ‘’Hoje tivemos um claro sinal de que os alunos não vão vacilar em sua crença de que a educação no país tem de ser um direito de todo o povo chileno e não apenas um empréstimo. As famílias chilenas não querem viver endividadas. O governo tinha nos dado como mortos mas, sem dúvida nenhuma, estamos vivos nessa luta “, declarou.

Renata Bars