Na manhã deste domingo (20/01), mais de três mil estudantes se reuniram no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco para um dos principais debates do 14º Conselho Nacional de Entidades de Base, o Coneb da UNE.

A mesa com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reuniu mais de 3 mil jovens para a discutir tema principal do Coneb, “A luta pela reforma universitária: do manifesto de Córdoba aos nossos dias”. O site da UNE percorreu o auditório e ouviu estudantes de diversas partes do país para conhecer a realidade de suas universidades e as suas propostas para a transformação do ensino superior.

A estudante gaúcha de Odontologia da Universidade de Passo Fundo, Giordana Furini, criticou a ausência de um programa de Pesquisa e Extensão mais efetivo na sua instituição, que é privada.

“Onde eu estudo, o valor da mensalidade aumenta progressivamente e nós não percebemos melhorias efetivas, tanto na qualidade do ensino, quanto na infraestrutura. Nós não somos incentivados a produzir conhecimento através de pesquisas”, explica ela. Outro ponto levantado por Giordana é que as exigências do Ministério da Educação com relação à formação dos professores trouxe um quadro mais substancial para a Universidade, porém, muitos deles acabam sendo subutilizados por não haver estímulo para a formação de grupos de estudo e pesquisa.

Uma realidade diferente é experienciada pelo aluno de Engenharia de Alimentos, Rafael Faria, da Universidade Federal do Mato Grosso. Ele estuda em um dos campi avançados onde a situação é bastante precária. “Falta tudo para nós. A maioria dos estudantes é de fora e nós não temos quase nenhum apoio institucional para concluirmos os nossos estudos.  O restaurante universitário ainda está em construção e isso nos obriga a fechar pacotes mensais com restaurantes próximos para conseguirmos nos alimentar”, critica.

As estudantes baianas de Ciências Sociais, Débora Bonfim, Patrícia Micheline e Marta Barroso são da Universidade Estadual Santa Cruz, que fica localizada na divisa entre Ilhéus e Itabuna. Por conta da distância, em relação à capital, os problemas estruturais são inúmeros. “Nós estudamos em um pavilhão emprestado, porque o Centro de Humanas não tem sequer sede própria. Por conta disso, temos restrições no uso de alguns espaços”, explicou Débora.

O horário de funcionamento reduzido do restaurante universitário também foi alvo de críticas. “Ele só está aberto durante o dia. Quem estuda à noite não tem direito à alimentação”, disse Marta. A ausência de programas de pesquisa para os estudantes da área de Humanas foi lembrada por Patrícia. Ela, que é bolsista de um programa de iniciação científica financiado pela própria universidade, se ressente de maior estímulo por parte dos professores. “Nós somos cobrados a ter um volume de produção, mas poucos docentes se dispõem a orientar pesquisas na área de humanas”, finalizou.

O sergipano Johno de Jesus Félix, estuda letras na Universidade Federal de Sergipe. Ele pontuou a deficiência nos programas de assistência estudantil. “Nós temos um problema sério com relação às bolsas. Se estamos inseridos no programa de apoio alimentar, não podemos fazer parte de nenhum outro programa. Isso traz sérios prejuízos para os estudantes”, disse. Ele também criticou a ausência de políticas compensatórias de vagas. “Com o Enem, hoje a maioria das vagas da nossa universidade foi ocupada por estudantes de fora. Assim, os sergipanos acabam sem acesso ao ensino público e gratuito. Sem a compensação, o processo de preenchimento das vagas acaba sendo excludente.” 

Maria Helena Monteiro