Mais de 20 estudantes do Estado de São Paulo estão acampados na sede da UNE, localizada na Rua Vergueiro, 2485, em São Paulo, desde o último domingo (16/06) para participar das manifestações contra o aumento da tarifa no transporte público. Eles são de diferentes cidades como Guarulhos, Diadema, Marília, Ourinhos e Ribeirão Preto.

Durante a plenária final do 11º Congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), que ocorreu em Ibiúna no último final de semana, os estudantes decidiram que aproveitariam o desembarque na sede da UNE para permanecer hospedados aqui e contribuir com a presença nas manifestações na cidade de São Paulo.

“Decidimos participar contra o aumento da tarifa e contra a repressão policial, para poder somar nos atos e ajudar a mobilizar os estudantes para cada vez ter mais gente na rua e assim, conseguirmos o que queremos”, afirma o estudante de Logística Aeroportuária na FATEC Guarulhos, Henrique Domingues (23).

Os estudantes decidiram permanecer acampados na sede por tempo indeterminado “até a tarifa baixar”, afirmam todos eles, que já participaram do 5º e 6º ato, realizados nas últimas segunda e terça-feira, respectivamente.

Para Henrique Domingues, todos que estão indo para a rua vão de maneira pacífica e propositiva. “Eu acho que estamos indo muito bem, tem muita gente nas ruas pressionando o governo. Pelo número de pessoas vai dar certo sim, conseguiremos avanços significantes para toda a população”.

Nicholas Camp, estudante do curso de Analise e Desenvolvimento de Sistemas na FATEC Zona Sul, acredita que está ajudando os estudantes e o povo brasileiro. “Trabalho com web e acho legal ser tudo aberto. É importante que tudo permaneça livre sem restringir as informações publicadas, isso fortalece os movimentos. Devemos compartilhar com todos o que aprendemos e isso ajuda”.

Além da redução da tarifa, os estudantes acampados querem mais democracia e 10% do PIB para educação.

ORGANIZAÇÃO

O acampamento tem um prefeito, um responsável pela alimentação, um pessoal responsável pela limpeza e é muito bem organizado. Tem uma lista com ordem de pessoas para tomar banho e os estudantes curtem até um som durante a tarde. “O único perrengue que passamos é que faz muito frio à noite”, contou Henrique.

Os estudantes estão convidando mais colegas que participam do movimento estudantil para acompanhá-los nessa hospedagem e luta.

Natália Vaquelli