A Praça do Campo Grande, em Salvador, recebeu no último domingo(09/11), uma grande festa em homenagem à diversidade e à liberdade: a 11ª Parada do Orgulho Gay da Bahia. Organizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o evento reuniu mais de 400 mil pessoas e contou com 10 trios de música.
A comemoração teria sido perfeita, não fosse por um triste acontecimento, mais uma demonstração da violência e discriminação que a comunidade LGBT ainda sofre no Brasil: ao final da passagem dos trios, o presidente da Associação Brasileira de Estudantes Secundaristas (ABES), Wesley Masil, foi covardemente atacado em uma ação de homofobia.
Wesley caminhava na praça Campo Grande junto ao Vice Presidente da UBES na Bahia, Mardel Melo, e a diretora de Políticas Educacionais da ABES, Rennata Almeida, quando o ataque aconteceu. Um homem não identificado apareceu e o golpeou violentamente na boca.
“Ouvimos falar e vemos de casos de homofobia, mas nunca esperamos que aconteça com pessoas próximas e, principalmente, conosco. Estava rindo, feliz, o dia estava divertido até o acontecido. O lugar mais surreal onde poderia esperar isso acontecer seria na própria parada do orgulho gay. É lamentável, ainda não acredito que fui agredido”, lamentou Wesley.
Marcelo Cerqueira, presidente da GGB lamentou oacontecimento e ressaltou a importância de se aprovar no Brasil uma legislação que puna com rigor casos de homofobia: “Uma situação como essa faz com que agente trabalhe ainda mais”, disse.
Após a agressão, o estudante procurou a Delegacia da 1° Circunscrição Policial, onde mais uma vez foi vítima de preconceito tendo que enfrentar a resistência dos policiais para realizar o Boletim de ocorrência ao informar o policial de que não sabia a identidade do agressor e o local de sua moradia. “Eu disse que era necessário porque muitos crimes de homofobia acontecem diariamente. Depois de muita insistência, fomos atendidos por outro policial que se propôs a fazer o Boletim de Ocorrência. Por fim, constou “Agressão”, isolando o fato do que motivou a agressão que foi nitidamente HOMOFOBIA”.

O número de assassinatos de homossexuais cresce cada vez mais no Brasil, no ano passado 266 crimes dessa natureza foram registrados, entre os estados, a Bahia liderou o Ranking com 28 assassinatos.
A UNE, a ABES e UEB repudiam ações de homofobia e continuarão travando o debate e fortalecendo a luta pelos direitos LGBT. “Temos uma sociedade homofóbica e esse fato se materializa no dia a dia. Vamos cobrar que esse caso seja apurado e levantar cada vez mais a bandeira por uma legislação protegendo o público LGBT”, afirmou o diretor LGBT da UNE, Caio Bayma.
Da Redação