Um musical colorido a céu aberto, para milhares de estudantes e moradores do Recife arrastarem pé ao som das mais lendárias maravilhas do rei Gonzaga. Essa será a abertura da oitava Bienal da UNE, com a mescla de peça teatral e show do espetáculo “Gonzagão – A Lenda”, dirigido por João Falcão, no próximo dia 22 de janeiro (terça).
O espetáculo reúne uma série de releituras das grandes canções de Luiz Gonzaga em contato com outras linguagens, vestimentas pop e contemporâneas para ícones como “Qui Nem Jiló”, “Assum Preto” e a própria “Asa Branca”.
Com música e cenografia, apostando em artistas ainda em revelação e um figurino vistoso, o espetáculo explora a presença de Gonzagão como uma verdadeira lenda do imaginário brasileiro, um artista perene que vai eternizando, a cada nova geração, os ritmos e histórias do povo nordestino.
Ao escolher o espetáculo “Gonzagão – A Lenda” para abrir a Bienal, o festival deixa também um presente para a população local, levando a produção para praça pública, com entrada franca. Em novembro, a peça esteve em cartaz no Teatro Santa Isabel, em duas sessões completamente lotadas na abertura do último Festival Recife do Teatro Nacional.
100 anos da “lenda” Luiz Gonzaga
No último dia 13 de dezembro, completaram-se 100 anos do nascimento daquele que apresentou o Brasil para o próprio Brasil. Mais do que sanfoneiro, coroado como rei do baião, xote, forró e outras modas, mais do que cantador sincero das alegrias e tristezas do povo nordestino, Luiz Gonzaga foi aquele que apresentou a cultura popular dos interiores às massas das grandes cidades brasileiras durante os meandros do século XX.
Paramentado com as roupas do cangaço, rodando todas as regiões do país, Gonzaga tornou-se nacionalmente conhecido e idolatrado em um momento ainda embrionário da música popular brasileira. Grande homenageado da oitava Bienal da UNE, Luiz Gonzaga nasceu no povoado pernambucano de Araripe e gravou quarenta e cinco discos em várias décadas de carreira.
“A Volta da Asa Branca”
Composta em 1947 por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “Asa Branca” é a mais conhecida música do rei e foi eleita, pela Academia Brasileira de Letras, a segunda canção nacional mais marcante do século XX, atrás de Aquarela do Brasil. Em seus versos, a canção relata o penoso convívio dos nordestinos com a seca e sua necessidade de partir, migrando como faz a Asa Branca, uma ave típica do sertão que tem sua debandada quando a terra está em brasa, igual fogueira de São João.
Ao escolher o tema “A Volta da Asa Branca” – que também foi mote de outra canção de Luiz Gonzaga – a Bienal da UNE aposta no retorno a um novo nordeste brasileiro, pautado pelo desenvolvimento social e humano, construído com a fé de seu povo e a partir das transformações sociais e políticas do país. Segundo o IBGE, entre 2002 e 2007, mais de 400 mil nordestinos retornaram aos seus lares de origem. O nordeste é, atualmente, a terceira região mais rica do país, desenvolvendo-se em ritmo acelerado.
Confira o Teaser da peça:
Da Redação