Nesta terça-feira (31), véspera do golpe militar no Brasil completar 51 anos, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), rebatizou as escolas estaduais do Maranhão cujos nomes faziam referência a ditadores. “Vamos trocar os nomes de escolas alusivos aos generais-ditadores. Não merecem homenagens. Ditadura nunca mais”, disse Dino em posts nas redes sociais.
A Secretaria de Estado da Educação identificou, em nove municípios maranhenses, dez instituições de ensino que possuíam nomes de ex-presidentes do regime militar. Na capital, São Luís, a Escola Estadual Marechal Castelo Branco passará a se chamar Unidade Jackson Lago (ex-governador do Estado). Em Imperatriz, o então Centro de Ensino Castelo Branco se tornará Centro de Ensino Vinícius de Moraes. Em Timbiras, a escola batizada com o nome do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici será, a partir de hoje, Centro de Ensino Paulo Freire.
Ainda segundo o governador, “as próprias comunidades escolares escolheram novos nomes”. Ele ressaltou que, com o relatório apresentado no final de 2014 pela Comissão Nacional da Verdade, não é “razoável” que prédios públicos continuem a agraciar militares que cometeram graves violações de direitos humanos. “O estado do Maranhão não mais homenageará os responsáveis por crimes contra a humanidade”, afirmou ao Estado de S. Paulo.
A presidenta da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) afirmou que esta é uma pauta histórica da instituição e lamentou na terça-feira (31) não poder estar no Estado para comemorar. “Pena não poder estar aí para comemorar, por conta da batalha contra a redução da maioridade penal. Mas o dia de hoje é para comemorar a vitória da democracia, a legalidade dos partidos e das entidades do movimento social. Porque a partir dessa democracia conquistada com muito suor e sangue podemos sonhar e lutar com mais condições por um futuro melhor.
Viva a democracia! Ditadura nunca mais!”, afirmou.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Legislação e Documentos (Inep) 976 escolas públicas brasileiras têm nomes de presidentes do período da Ditadura. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) lançou no ano passado o site colaborativo ditaduranuncamais.cnte.org.br.
Ele foi criado para incentivar a renomeação de escolas que homenageiam generais ditadores e lembrar os trabalhadores perseguidos pelo regime.
Veja as escolas que tiveram seus nomes modificados aqui:
