O segundo dia do Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune) começou com a mesa “Para o Povo Negro por Inteiro”, que discutiu o a participação dos negros e das negras na universidade brasileira e a relação das instituições de ensino com a causa negra.

Os êxitos obtidos na última década em relação ao acesso dos negros ao ensino superior foram pontos de partida para as discussões, que apontaram acertos, erros e necessidades da luta daqui por diante.

A politica de cotas foi reconhecida como importante instrumento para a entrada de negros e negras na universidade. Porém os debatedores foram unanimes ao reconhecer que é necessário criar mecanismos que garantam a presença de negros e cotistas no ensino superior, como bolsas permanência, além de ampliar a participação do negro dentro do próprio programa de distribuição de bolsas. Em graduação no exterior, por exemplo, 64% foram das bolsas de estudo foram distribuídas para brancos e apenas 18% para negros.

A superintendente de apoio e defesa dos direitos humanos e professora do curso de direito da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Anhamona de Brito, lembra que o povo negro participou de disputas notáveis no acesso ao ensino superior, com resultados muito expressivos, mas reconhece a necessidade de avançar nas discussões.” Tanto no campo da institucionalidade pública, quanto nos movimentos, precisamos evoluir no debate. Nesta nossa caminhada precisamos fazer uma referencia positiva do que veio de conquistas nos últimos anos”, finalizou.

Segundo Sara Tchoya, da Educafro, é preciso que o negro garanta seu espaço também em níveis mais elevados da educação: “Temos uma quantidade enorme de jovens negros cursando nível superior. Quando teremos essa quantidade de mestrandos e doutores?”, questionou. Para ela o perfil do professor universitário ainda é branco e elitista, o que influi diretamente no conteúdo didático e, principalmente, contribui para uma universidade cada vez mais racista. Segundo Sara, a presença de professores negros nas instituições de ensino é fundamental para mudar a educação efetivamente.

Danilo Cruz vive de perto a realidade de uma do negro dentro da universidade. Aluno de Direito da USP, é o único representante de sua cor dentro de sala e faz coro a Sara, ao reforçar o perfil elitista, tanto de docentes quanto discentes. “Quando tivermos pessoas com outra perspectiva e outro olhar, produziremos instrumentos de emancipação do povo negro na universidade”, completou.

Yuri Salvador