Por Mateus Luiz Weber
Se é fato que as Universidades Federais possuem inúmeros problemas a serem resolvidos, nas Particulares a dimensão é ainda maior, cerca de 65% dos estudantes brasileiros estão no ensino Superior Privado.
No último período os estudantes deram um show de democracia travando diversas lutas contra o aumento abusivo de mensalidades, estiveram na luta por mais qualidade, pautando a democracia interna e paridade nos fóruns. Mas uma pauta quem tem sido central é a regulamentação do ensino superior privado que contemple a nacionalização do ensino superior privado.
Recentemente tivemos o anuncio da compra da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) pela rede americana Laureate, que já é dona da Anhembi Morumbi. A compra da instituição representa a maior transação no setor de ensino superior privado no Brasil desde a fusão entre a Kroton e a Anhanguera, que criou o maior grupo educacional do mundo.
Para nós da UNE a preocupação com a internacionalização do ensino superior não inquieta apenas docentes e profissionais da área de Educação. Entendemos que a campanha “Educação não é mercadoria” deve ser expandida para cada canto do nosso país, essa campanha que tem como um dos focos a questão da desnacionalização, foi lançada em 2007 e mantém sua bandeira até hoje.
A Universidade tem sido popularizada com medidas de ingressar a universidade. Popularizar a universidade significa também superar barreiras históricas da construção social do nosso país e romper com toda as opressões sobre as quais originou nosso povo. Temos que lutar por universidade popular para que a universidade seja de fato um universo de saberes, com a cara do povo brasileiro, para o povo brasileiro.
É por defender arduamente uma educação com qualidade que a UNE está presente na luta pela nacionalização do ensino superior privado brasileiro, sempre tendo em vista uma educação que tenha como princípio norteador a qualidade. Portanto, colocamos como ponto de pauta a necessidade de controlar com mais rigor a qualidade das universidades particulares que ofereçam ensino, pesquisa e extensão, com bibliotecas equipadas, laboratórios, com pelo menos 35% do corpo docente de doutores e com avaliação de desempenho dos mesmos.
O que acontece é que a histórica omissão do governo brasileiro frente a esse gigante crescimento das instituições particulares gera universidades sem nenhuma preocupação com a qualidade do ensino. Estas agem sem nenhum critério, vão se fundindo e formando verdadeiros oligopólios que obedecem somente à lógica de lucro do mercado.
Estamos na luta e entendemos que precisamos impedir a crescente mercantilização e financeirizacão do ensino superior no país e garantir medidas de fiscalização e controle, como, por exemplo, a criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (INSAES). A estrada que estamos percorrendo para alcançar uma efetiva regulamentação do ensino superior privado, para que educação não seja tratada como mercadoria, é muito grande, mas será com muita unidade de todos que defendem a soberania brasileira e a qualidade de ensino que sairemos vitoriosos.
*Mateus Luiz Weber é diretor de Universidades Privadas UNE