Estudantes da UniverCidade realizaram no último dia 22/07 mais um protesto contra o Grupo Galileo Educacional, mantenedor da instituição e mesma empresa que controla outra faculdade em crise, a Gama Filho (leia aqui). A presidente da UNE, Vic Barros, e da UEE-RJ, Tayná Paolino, participaram do ato que contou também com estudantes da UNISUAN e UFRJ. A manifestação foi em frente à sede do Grupo, na rua Sete de Setembro, no Centro do Rio de Janeiro.
De acordo a presidente do DCE da UniverCidade, Letícia Portugal, a decisão foi tomada depois que os alunos tiveram a semana de provas interrompidas por que o Grupo Galileu não cumpriu, mais uma vez, o acordo feito em relação ao pagamento dos professores que entraram em greve apoiada pelos alunos. “Professores e funcionários estão ainda sem receber. Tem estudantes esperando apenas terminar o período para procurar trabalho, mas não conseguimos nem realizar nossas provas”, denunciou.
Os estudantes colaram cartazes na porta da sede do Grupo Galileo exigindo a intervenção imediata do MEC na universidade, pelo fim das mensalidades abusivas, pela volta as aulas com qualidade e melhorias na infraestrutura da instituição.
Durante a manifestação, foi organizada uma assembleia dos alunos, atualizando como está a situação da faculdade. Na reunião, os alunos decidiram se reunirem mais uma vez em frente a sede da Galileo Educacional, na próxima segunda-feira (29/07), às 18h, iniciando uma nova manifestação.
A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do Ministério da Educação convocou uma Comissão Paritária com seus membros para tratar do caso em uma reunião emergencial amanhã (25). O DCE da UniverCidade estará presente.
A presidenta da UNE, Vic Barros, participou da mobilização dos alunos na segunda-feira. “Os protestos dos estudantes da UniverCidade e da Gama Filho, ambas instituições mantidas pelo Grupo Galileo, denunciam os problemas generalizados do ensino superior privado brasileiro, que ainda segue a velha concepção mercadológica de universidade, priorizando o lucro em detrimento da qualidade”, ressaltou.
A luta da UniverCidade e da Universidade Gama Filho (RJ) nos últimos anos, tem se tornado um dos símbolos da luta nacional contra a situação de abusos e descasos do ensino superior privado brasileiro. Foram vários protestos, greves e iniciativas reivindicando a mínima condição de ensino nas instituições. A UNE tem participado nas inúmeras mobilizações.
CPI das Particulares
A esperança dos alunos da Gama Filho e da UniverCidade está no processo da Comissão Particular de Inquérito do ensino particular no Estado, cujo relatório final precisa ser votado em plenário na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Com a votação do relatório agora em agosto a gente espera que os culpados sejam condenados e possamos seguir em frente”, destacou Letícia.
A CPI foi criada em junho de 2012 para investigar diversas denúncias ligadas a instituições do estado como a falta de pagamento de salários a funcionários, aumentos abusivos de mensalidades e o assédio moral a docentes e alunos. O relatório final foi apresentado no mês de abril com o indiciamento de seis pessoas, diversas irregularidades e crimes apontados, desde o lucro abusivo até a venda de diplomas.
Da Redação