“O CUCA é uma bandeira que luta pelo respeito à diversidade cultural do país. Nessa caravana, a UNE traz temas que mostram não somente a história de luta dos brasileiros, mas quais são os elementos que unificam e caracterizam a nossa identidade cultural, rumo ao desenvolvimento”.
Foi assim que Vic Barros, diretora da UNE e Coordenadora da Caravana UNE Brasil+10 definiu o CUCA no encontro com os estudantes da Universidade Federal da Bahia, na última quinta-feira, dia 8.
Incluso à programação cultural da caravana, o encontro aconteceu após a exibição do filme “O afeto que se encerra em nosso peito juvenil”, documentário de Silvio Tendler que demonstra a militância do movimento estudantil desde a formação e atuação do lendário Centro Popular de Cultura (CPC) até chegar às atuais Bienais da UNE. Em meio a aplausos, assovios e o auditório cheio, o filme provocou imensa identificação nos estudantes da UFBA, seguido de uma conversa que emocionou a muitos.
O documentário, no encontro, foi tomado como exemplo de linguagem para pensar a educação pela dramaturgia, que neste caso é crítica e criativa. Quem iniciou o papo foi Fellipe Redó, diretor do CUCA. “A UNE enxergou a cultura como elemento que soma no papel do desenvolvimento dos povos, podendo assim representar a história da política brasileira através da arte”.
A Bahia foi palco da reconstrução da UNE em 1979 e o primeiro estado que sediou a primeira Bienal de Cultura e Arte, maior festival estudantil da América Latina, em 1999. Por isso, inclusive, a Bahia tem sua simbologia própria para a entidade. “Além disso, este é o estado com mais diretores da UNE nas universidades. Totalizam-se cinco só na UFBA”, contou Vic.
A cidade de arquitetura barroca é famosa pelas igrejas, pelas ladeiras, pelo calor. Mas sua característica principal quem registra muito bem é Pierre Verger (pierreverger.org), fotógrafo que chegou à Bahia em 1946 e se apaixonou pelo povo que carrega no olhar uma herança histórica de sofrimento, resistência e superação desde a época do Brasil colonial.
“A história de resistência da juventude brasileira e do povo brasileiro de um modo geral é muito rica e precisa ser contada exaustivamente para as pessoas. Porque é relembrando as paginas da nossa história que a gente vai conseguir elevar cada vez mais o nível de consciência políticada população e transformar o que persiste errado na sociedade. Esse é o saldo que este debate deixa pra mim”, conclui Virgínia Barros.

A Caravana UNE Brasil+10 tem se comprometido a levar aos estados questionamentos que englobam as perspectivas do Brasil para os próximos dez anos em termos de educação, desenvolvimento, justiça social e ambiental. Para isso, convida todos os estudantes a participarem de um dia inteiro de atividades nas universidades.
Na quarta-feira, dia 7, recém-chegada de Belo Horizonte, a caravana da UNE esteve na UNIJORGE para o encontro do PROUNI, com a presença de Valmor Bolan, Presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni – (CONAP) e Daniel Iliescu, presidente da UNE. Na quinta-feira, a UFBA também contou com o Aulão+10 com Sérgio Gabrielli; Ex-presidente da Petrobrás e Secretário de Planejamento do Estado da Bahia; almoço cultural com Baiana de Acarajé; blitz estudantil no RU da universidade e show de encerramento, com a banda Tabuleiro da Baiana.
Mayara Monteiro, de Salvador
Fotos: Ivan Russo e Fábio Bardella