Dar uma volta pelo Memorial da América Latina, em São Paulo, espaço onde está acontecendo o 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, é entender que a luta feminista é uma só em cada canto do mundo. Muitas cores, vestimentas e sotaques se misturam a vontade de mudar a sociedade e acabar de vez com o machismo e a opressão sexista.
É possível, por exemplo, encontrar mulheres de aldeias indígenas participando do encontro. Iarê Simone e Anhanguera Karine vieram da Aldeia Barra do Gramami, na Paraíba, para participar do evento. ‘’Viemos aqui para lutar por nossos direitos. Na aldeia em que vivemos a hierarquia existente ainda é predominantemente masculina. Precisamos mudar essa situação’’, afirmaram.
Com adereços típicos da cultura africana, a moçambicana Nilza Chipe desembarcou em terras tupiniquins para aprender e trocar experiências. ‘’Os desafios para as mulheres de Moçambique são os mesmos para as mulheres do mundo todo. Temos que ser rebeldes e contestativas para enfrentar o sistema patriarcal ao redor do globo’’, destacou.
O público do encontro é composto por cerca de 2000 mil mulheres de 48 países, com diferentes faixas etárias.
Para a rendeira Natividade Duarte, de 60 anos, a idade não é empecilho. ‘’ Nunca é tarde para lutarmos por nossos ideais’’, falou. Natural da cidade São João de Tigre, na Paraíba, Natividade conta que em sua cidade o machismo ainda impera. ‘’Tem muitos homens que reclamam, ficam revoltados com o crescimento da autonomia das mulheres. Estando aqui posso levar novos aprendizados para mudar a comunidade onde vivo’’, disse.
Participantes da ‘’batucada feminista’’, as estudantes tocantinenses Bruna Silva e Ednilma dos Santos participam do encontro para lutar pela liberdade das mulheres. ‘’Nós temos o direito de ter autonomia sobre os nossos corpos. Por isso lutamos e por isso vamos continuar fazendo muito barulho’’, enfatizaram.
Oona Jana, de 27 anos, veio da Finlândia para o evento e diz estar absorvendo e transmitindo muitas coisas novas ao longo das atividades. ‘’Na Europa, principalmente no país de onde venho o machismo existe, mas é muito velado. Ele não acontece nas ruas como muitas vezes ocorre aqui na América Latina, ele acontece dentro das casas, longe dos olhos da sociedade. Por esse motivo não temos tantos espaços para discutir o assunto. Esse encontro tem se mostrado fundamental para abrir esse diálogo a mulheres de todo o mundo’’, salientou.
A diretora de Mulheres da UNE, Lays Gonçalves, entende que o movimento estudantil é mais um pedaço da diversidade encontrada no evento. ‘’É um momento incrível que permite às jovens estudantes perceber que fazemos parte de um todo. A luta feminista é muito maior do que muitas vezes pensamos ser’’, disse.
O Brasil sedia pela primeira vez o evento, que acontece até sábado (31/8) com mesas de debates, atividades culturais e conferências.
Para quem não está em São Paulo, o evento está sendo transmitindo ao vivo pelo endereço http://www.ustream.tv/channel/marchamulheres
SERVIÇO
O que? 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Quando? De 25 a 31/8
Onde? Memorial da América Latina – Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda São Paulo –SP
Programação: www.marchamundialdasmulheres.org.br
Fanpage: www.facebook.com/marchamundialdasmulheres
Entrada gratuita
Cristiane Tada e Renata Bars




