Ao longo de 16 anos, desde que surgiu em 1999, as bienais também já pautaram temas importantes que casam com as lutas do movimento estudantil, como a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do povo brasileiro.

O histórico das Bienais da UNE remonta o próprio percurso da produção artística juvenil ao longo dos anos no Brasil – como se eles interligassem, encontrassem e se confundissem.

Confira abaixo um breve resumo de cada Bienal e se prepare para o que está por vir! Aproveita e clica também no hotsite da 9ª Bienal da UNE.

8ª Bienal

Em 2013, a 8ª Bienal da UNE voltou à Pernambuco depois de 10 anos e realizou uma fascinante viagem pelo sertão nordestino. Essa Bienal fez uma homenagem ao centenário do rei Gonzagão e o tema “A Volta da Asa Branca”. Além dele, também foram homenageados Gonzaguinha (mostra de música), Ariano Suassuna (mostra de artes cênicas), João Cabral de Melo Neto (mostra de literatura), J. Borges (mostra de artes visuais), Gilberto Freyre (mostra de ciência e tecnologia), Josué de Castro (mostra de projetos de extensão) e o conjunto da cena pernambucana (mostra de audiovisual).

Gonzaga volta à sua terra, cem anos após seu nascimento, para festejar com a juventude. Em uma maratona de grandes shows, debates, exposições, mostras de cinema, teatro, literatura, ciência, tecnologia, esporte e extensão, a Bienal celebrou o novo Nordeste que se aproxima no horizonte, neste início de século 21.

7ª Bienal

Em 2011, o samba deu o tom da Bienal em uma semana de festa e luta no Rio de Janeiro. Com o tema “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”, o evento debateu a força dessa manifestação popular brasileira, seu caráter festivo e de resistência em diversos momentos da história nacional. A Bienal teve como madrinha Beth Carvalho, que emocionou os milhares de estudantes em uma breve, porém histórica apresentação na Cidade do Samba, a casa do carnaval carioca. Martinho da Vila, Leci Brandão, Marcelo D2 e outros bambas da música brasileira cantaram e conversaram sobre o samba, em um evento que ficou marcado também pela saudável estrutura montada no Aterro do Flamengo, com tendas climatizadas e clima de integração total com a população carioca e a cidade.

6ª Bienal

No verão de 2009, a cidade de Salvador recebeu pela segunda vez, os estudantes brasileiros. A reflexão sobre a formação do povo brasileiro no local onde sua atual conformação se deu, orientaram os debates, num festival carregado por atividades ao ar livre. Num domingo de sol, o Forte foi palco de uma grande celebração. As duas novidades desta edição foram a incorporação dos estudantes secundaristas nas mostras e no público da atividade, além da realização em conjunto com o Conselho Nacional de Entidades de Base – CONEB da UNE, ampliando o caráter do projeto. Marcelo D2, Alceu Valença, Armandinho e Cordel do Fogo Encantado marcaram presença.

5ª Bienal

No ano da comemoração de seus 70 anos, a UNE retornou à sua casa natal. A cidade do Rio de Janeiro recebeu no verão de 2007, sob as influências dos Orixás, “Brasil-África: um Rio Chamado Atlântico”. Nesta edição a Bienal vai às ruas e ocupa a região da Lapa e da Cinelândia com seus equipamentos culturais, praças e ruas. Intelectuais como Alberto da Costa e Silva e Abdias do Nascimento, o ministro Gilberto Gil, o escritor angolano Ondjaki, músicos como Martinho da Vila, Lenine, Mr. Catra e Beth Carvalho foram as presenças.Ao fim do encontro uma imensa Culturata ocupou e retomou a antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo 132, um marco na luta dos estudantes.

4ª Bienal

Em 2005, com o tema “Soy Loco por ti América”, a 4ª Bienal teve o propósito de provocar uma reflexão sobre as possibilidades da integração do continente, a partir do diálogo entre a cultura e as diversidades de seus povos. O festival ocorreu em São Paulo, paralelo ao XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), fato que viabilizou a vinda de grande número de participantes de outros países. O tema do congresso, “Outra América é Possível”, reforçou a ideia de unidade e integração latino-americana ao propor mudanças na área econômica, política e social. Personalidades como o ministro da educação de Cuba, Vecinno Alegrete; Aleida Guevara (médica cubana e filha de Che); Enio Candotti; Mino Carta; Aziz Ab’saber; Nação Zumbi e Serginho Groisman marcaram presença.

 3ª Bienal

O festival aprofundou o seu compromisso com a identidade nacional brasileira a partir dessa terceira edição, no fervilhante estado de Pernambuco. O tema “Um encontro com a cultura popular” foi burilado por convidados como o ministro da Cultura Giberto Gil e o escritor Ariano Suassuna. Foi também momento também de avaliar a postura do novo governo federal, eleito em 2002, em relação às políticas culturais e à valorização da diversidade. A Bienal de Recife veio consolidar o projeto CUCA e iniciar a formação da rede nas universidades do país. Etapas preparatórias foram realizadas em diversos estados, como a 2ª Bienal da UEE-SP e a etapa mineira, da UEE-MG, em conjunto com o Festival Coração de Estudante de Música Universitária.

2ª Bienal

A iniciativa se consolidou de vez em fevereiro de 2001, com a realização da 2ª Bienal, no Rio de Janeiro, onde começou a discussão sobre uma forma mais contínua de fomentar a produção cultural e artística nas universidades. O “Lado B” (espaço para programação não-oficial) e o “Lado C” (visita e interação com as comunidades dos morros do Rio de Janeiro) foram as grandes novidades. Mas o grande fato que marcou esta edição foi o amadurecimento do trabalho cultural da UNE, que se expressou no lançamento do Circuito Universitário de Cultura e Arte, o CUCA da UNE.

Além disso, nesta edição a entidade propôs que as atividades do festival subsidiassem a reflexão do tema “Nossa Cultura em movimento”, instigando uma discussão sobre a diversidade cultural brasileira. Desta vez, mais de oito mil jovens participaram. As presenças marcantes foram Augusto Boal, Ziraldo, Oscar Niemeyer, O Rappa e Tom Zé.

1ª Bienal

A atuação cultural da União Nacional dos Estudantes (UNE), enfraquecida durante os anos de repressão da ditadura militar, foi simbolicamente retomada com a sua primeira Bienal, no ano de 1999 em Salvador. O encontro reuniu cerca de cinco mil estudantes que davam início a um longo projeto de aproximação com a cultura popular e intercâmbio entre as diversas juventudes brasileiras. A diversidade de opiniões sobre a cultura e seus desdobramentos se deu pelo olhar de artistas como Lenine, Chico César, Jorge Mautner e os Racionais MC’s, que deixaram na Bahia uma apresentação memorável.

 Da Redação