Buscar em cada estado os sonhos do jovem brasileiro, ouvir problemas e colher ideias foram algumas das principais buscas da Caravana UNE Brasil+10, iníciada em Brasília, dia 28 de março, e concluida, hoje, dia 15 de maio, sua etapa final em São Paulo. Além disso, conhecer a diversidade cultural do país para então compreender a nacionalidade brasileira, possibilitou que a caravana alcançasse o seu objetivo inicial: discutir, após 200 anos da independência, possibilidades para a construção de um Brasil melhor.
Quais são as perspectivas para o Brasil no ano em que se comemora o bicentenário da independência e o centenário da semana da arte moderna? Essa foi a pergunta que norteou a passagem da caravana por 12 estados no território nacional.
No último dia 11, a cidade do Rio de Janeiro, onde ocorreu a penúltima etapa, recebeu a UNE de braços abertos para questionar a importância dos 10% do PIB para a educação, a democratização do acesso à política de cotas, o combate ao machismo, o papel da cultura como elemento chave para falar de política e contar a história do povo brasileiro.
Presente em mais essa etapa da Caravana, a vice-presidente da UNE, Clarissa da Cunha, avaliou alguns pontos chave do processo e destacou os próximos desafios. “A UNE, no dia a dia, se mostra preocupada em pensar as formas de dialogar com a juventude brasileira, que está inquieta. Desafiar o que queremos para os próximos dez anos em termos de educação e desenvolvimento, em busca de transformações sociais, é um balanço muito forte da caravana”.
Ao perguntar sobre a posição da UNE, antes e depois da Caravana UNE Brasil+10, Clarissa acredita que, sem dúvidas, a UNE está mais fortalecida: “Passando pelas salas de aula, pelos auditórios e pelos corredores, a UNE causa reverência em cada canto, levando o estudante à aproximação da entidade como um todo, e não só para uma atividade específica. Esse alcance mostra que a UNE cumpriu o seu principal papel: militar junto aos estudantes para que sejam cumpridas as necessidades do país”.
Para Clarissa, o Brasil já está a caminho das grandes transformações dos últimos períodos, uma vez que estas acontecem inicialmente nas universidades federais e cada vez mais, nas universidades particulares. “Discutir a disputa de valores que a juventude tem e qual o tipo de sociedade que nós queremos é pensar o Brasil para os próximos dez anos. A UNE não vai sair da luta, não vai sair das salas de aula e assim vamos chegar a uma sociedade menos opressora, menos machista, menos homofóbica, menos racista”.
Diretoria de mulheres da UNE se mobiliza contra o machismo nas universidades
Acompanhando a reflexão do país que queremos construir para os próximos 10 anos, a diretoria de mulheres da UNE acrescentou aos debates da caravana a questão da mulher na universidade. Qual é o país e a universidade que queremos para as nossas mulheres? Nesse contexto, pautas como combate ao machismo e políticas de assistência estudantil às estudantes vêm sendo discutidas e coletadas em um vídeo, que leva o mesmo nome da campanha – ‘’Feminismo para combater o machismo’’.
Segundo Clarissa, a entidade já vem fazendo um trabalho nessa linha e não poderia deixar essa pauta de fora da Caravana.”Estamos desafiando as estudantes a pensar no machismo dentro da universidade e se mobilizar para lutar contra isso”, explicou.
Com o intuito de apresentar a todos as reflexões e necessidades das universitárias atualmente, o vídeo final com os depoimentos será exibido no 60º CONEG que acontecerá de 14 a 17 de junho, no Rio de Janeiro.
Do Rio de Janeiro, Mayara Monteiro e Renata Bars
Fotos: Fábio Bardella e Ivan Russo