O 8 de Março em São Paulo começou com tempo fechado e muita chuva. O mau tempo no entanto não afastou milhares de mulheres que foram às ruas mostrar que o Dia Internacional delas é mais que uma simples data comemorativa, é um dia de luta.

Por volta das 10h o vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp) já estava tomado. Pouco antes das 11h a caminha se iniciou pela Avenida Paulista, uma das principais vias da cidade. O batuque da “Fuzarca Feminista” embalou as palavras de ordem por um mundo sem machismo, sem violência contra as mulheres e por mais igualdade. Diversas entidades marcaram presença, entre elas a UneAfro, CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UBM (União Brasileira de Mulheres), MST (Movimentos dos Trabalhadores Sem terra), Apeoesp, (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Marcha Mundial das Mulheres, além de movimentos de moradia e juventudes partidárias. O movimento estudantil também estava presente. Diretoras da UNE, UEE-SP, UBES e UPES participaram da passeata.

Do alto do carro de som, Maíra Pinheiro, do Movimento Mulheres em Luta, viu a passeata ganhar força. Neste momento, o sol já dava as caras, ainda que timidamente. Ela frisou que, apesar das conquistas, ainda há muita luta pela frente: “A gente vive sob um mito de que a igualdade já foi alcançada, que as mulheres já chegaram lá. Mas os homens ainda tem muito mais espaço que as mulheres, ainda temos a violência que usada de várias formas”, destacou.

A ex-diretora da UNE e integrante da UBM, Maria das Neves, também vê a necessidade de mudanças: “Nos últimos dez anos criamos várias políticas públicas voltadas às mulheres e hoje a mulher pode garantir sua livre participação na luta social. Queremos agora mais mulheres no poder, combater o machismo. Queremos que a luta feminista contagie as mulheres brasileiras, muitas mulheres são feministas e nem sabem ainda”, disse.

Ao dobrar a esquina com a Rua da Consolação, a marcha já contava com milhares de pessoas. Cadeirantes, jovens, idosas, todos pelos direitos das mulheres. Dona Aurelina, 84 anos, militante da UBM, está na batalha há 41 anos e ainda assim mantém a disposição. “Eu lutei e consegui muita coisa, mas a mulher ainda é muito escravizada. Por isso eu fico alegre quando vejo jovens assim, que lutam”, pontuou.

MUDAR A UNIVERSIDADE

A presidente da UEE-SP, Carina Vitral, discursou por um mundo e uma universidade sem machismo. “Todos os dias, nas universidades as mulheres sofrem com o machismo, seja nos trotes violentos e discriminatórios, ou mesmo nos cursos, onde a mulher é valorizada mais na Pedagogia do que na Engenharia. Além disso, temos a questão das creches universitárias, onde há uma evasão muito grande de estudantes que engravidam durante a faculdade, por não terem com quem deixar seus filhos. Essa é uma das principais bandeiras da UNE e da UEE no movimento feminista”, defendeu.

Representando o apoio dos homens ao Dia Internacional das Mulheres, o diretor de Universidades Privadas da UNE, Mateus Weber, foi à passeata vestido de saia, empunhou a bandeira feminista da UNE e ressaltou que “é importante ter os homens lado a lado na luta pela emancipação da mulher, sem opressão, sem machismo, sem homofobia. Gerar a consciência em quem mais oprime, e os opressores das mulheres são os homens, então é preciso gerar essa consciência também entre os homens”.

A descida pela Consolação foi um dos momentos mais bonitos do ato. Com duas pistas tomadas de gente, as mulheres avançaram. Um mar de sombrinhas protegiam as protagonistas do forte sol que tomou o céu e o batuque nas latas da Fuzarca continuou firme junto com palavras de ordem.

Por volta das 14h, a marcha chegou à Praça Roosevelt, ponto central da capital. Um ato simbólico lembrou que a violência contra a mulher ainda se faz muito presente na sociedade e homenageou guerreiras da luta feminista. Segundo organizadores do evento, cerca de 8 mil pessoas participaram da marcha. O dia, que amanheceu com tempo nublado e uma forte chuva, terminou sob o brilho do sol e a certeza que a luta continua e é de todos. Viva as mulheres!

Da Redação