As centrais sindicais – Força Sindical, CTB, CGTB e UGT – junto aos movimentos sociais e estudantil realizaram hoje (29/11) ato em frente ao prédio do Banco Central, em São Paulo, reivindicando a queda na taxa de juros. A manifestação ocorreu no mesmo dia que começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina amanhã, em Brasília. O Copom é orgão responsável por estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros no país. UNE, UBES, União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES-SP) e União Estadual dos Estudantes (UEE-SP) participaram da manifestação.
Atualmente, o Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo, hoje em 11,5% ao ano. Em termos reais (descontada a inflação), a taxa básica de juros do Brasil é de 5,5%, cinco vezes e meio maior que a taxa da Rússia (1,0%), a segunda maior entre os países dos BRICS.
Diminuir os juros implica, entre outras coisas, diminuir a dívida pública do país, o que aumentaria a capacidade do país de investir em outros setores. “Para se ter uma ideia, em 2010 o Brasil pagou R$ 45 milhões de dívida pública e investiu R$ 5 milhões em educação”, completou o diretor jurídico da UNE, Renan Alencar, que esteve presente à manifestação.
Para o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), “um possível corte de 0,5 ponto porcentual, esperado pela maioria dos analistas de mercado, é muito pouco”. Na sua opinião, “para mostrar que o governo está comprometido para valer com a produção nacional, o corte tem de ser de pelo menos um ponto porcentual”. De acordo Paulinho, esse movimento de queda mais agressivo não teria reflexo na inflação, pois a alta de preços estaria “controlada” e aceleraria a queda para um patamar razoável. “O objetivo é que a Selic fique abaixo dos dois dígitos, em torno de 9% ao ano”, avaliou.
A secretária-geral da UNE, Michele Bressan, completou: “Hoje, 35% de nossas escolas não tem quadras, 39% estão sem bibliotecas e 70% não possuem laboratórios. Nossos professores fazem dupla jornada por causa do salário baixo e as vagas nas universidades públicas e cursos técnicos precisam dobrar para que o Brasil alcance a Argentina e Venezuela. Queremos um país mais justo!”
Em agosto Copom reduziu 0,5% ponto porcentual da taxa Selic
Este ano, a primeira redução da taxa Selic ocorreu em agosto, no dia 31, quando o Copom cortou 0,5 ponto porcentual. Essa redução aconteceu após uma grande marcha que a UNE organizou em Brasíl (saiba mais aqui), contando com a presença de mais de 12 mil estudantes, entre eles, a chilena Camila Vallejo. Na ocasião, os estudantes fizeram um ato simbólico e lavaram com água e sabão a rampa da entrada do prédio do BC.

Em outubro, houve novo corte de 0,5 ponto percentual. Mas este sistema de conta-gotas foi muito criticado pelos sindicalistas e movimentos sociais. “O Brasil tem ainda uma das maiores taxas de juros do mundo “, afirmou o presidente da Força Sindical.
Saiba mais sobre a taxa Selic
A taxa Selic, o instrumento primário de política monetária do Copom, é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight) lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). O Copom estabelece a meta para a Selic, e cabe à mesa de operações do mercado aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima à meta. Ela foi criada em 1979 para tornar mais transparente e segura a negociação de títulos públicos.
A dívida pública brasileira é gigantesca e a Selic é uma forma do estado brasileiro compensar seus credores pelo risco de emprestar ainda mais dinheiro ao governo – a compensação é feita na forma de juros altos. A Selic também é o principal instrumento de controle da inflação, funcionando como a taxa de juros básica adotada no país
Da Redação com informações da Força Sindical
Foto destaque Jaélcio Santana