Na noite de ontem (23), cerca de 100 estudantes pararam a Rua Maria Cândida, localizada na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, em protesto contra a mercantilização do ensino privado praticada pelo Grupo Anhanguera. A mobilização que teve seu início às 19h, em frente ao campus da Uniban, contou com a presença de integrantes da UNE e UEE-SP.

Com megafones em mãos, apitos, panfletos e nariz de palhaço, os estudantes interromperam o trânsito para exigir melhorias na infraestrutura do campus, na grade curricular e no quadro de docentes.

O Grupo Anhanguera se tornou a maior rede de ensino superior privado do país após adquirir a rede Uniban por quinhentos e dez milhões no ano passado. Na transição, mais de mil professores foram demitidos, todos eles mestres ou doutores, grades curriculares foram modificadas e salas de aula passaram a enfrentar superlotação.

Segundo a vice-presidente da UNE em São Paulo, Laís Gouveia, a manifestação cumpriu o papel de denunciar o descaso com o qual a rede Anhanguera vem tratando os estudantes. ‘’A maior preocupação deles (Anhanguera) não é prezar por sua excelência, mas sim por suas ações que estão na bolsa. O protesto surge para dar um basta na concepção mercadológica que rege hoje o ensino privado’’, afirmou.

No ápice da mobilização, que durou cerca de 4h, a coordenação do campus aceitou reunir-se com integrantes da UNE e UEE-SP, além dos alunos representantes de cada curso da unidade para ouvir as queixas levantadas. Como resultado, os coordenadores prometeram providenciar as melhorias necessárias, porém não estipularam um prazo para isso. Já os estudantes, prometeram continuar lutando para que seus direitos sejam garantidos.

Para o secretário geral da UEE-SP, Fábio Garcia, não há outro caminho senão o da reivindicação. ‘’ Precisamos pressionar o MEC e toda sociedade para de uma vez por todas regulamentar o ensino privado. A UEE- SP juntamente com a UNE, vai mobilizar cada vez mais estudantes para essa causa, parar muitas avenidas se necessário, e gritar bem alto que a educação não é mercadoria’’, declarou.

Renata Bars

Foto: Reprodução