A mesa “A Educação Superior como Bem Público e Direito Social: acesso, condições de permanência e qualidade” reuniu o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jesualdo Farias, o secretário executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Gustavo Balduíno e a Secretaria de Políticas Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Maria Clotilde, que debateram, na manhã desta sexta-feira (21/11), a evolução do sistema de ensino superior nos últimos anos, as novas necessidades, e os programas que foram criados para atender a demanda crescente de assistência estudantil.
Em meio a tantos novos programas ligados a educação, o Brasil começa a colocar a educação como protagonista de seu projeto de crescimento. Em 1981 o Brasil tinha 65 universidades e, destas, apenas 7 tinham mais de 20 mil estudantes. Pouco mais de 30 anos depois o cenário é outro. Os últimos 10 anos foram decisivos para a mudança do quadro do ensino superior no país e hoje, cerca de 18% dos jovens estão na universidade.
Mas se hoje o ensino superior cresce, o ensino médio, que em outros tempos ocupou lugar de destaque, encontra-se com falhas que comprometem o acesso e o desenvolvimento dentro do ensino superior. Além disso, a assistência estudantil é outro ponto que precisa ser tratado para garantir que não ocorra uma alta evasão, como vem acontecendo, nos primeiros semestres.
A presidenta da UNE, Virgínia Barros, acredita que é hora de fazer um balanço e iniciar uma nova etapa: “Agora que completamos 10 anos do Prouni, precisamos repensá-lo.Precisamos vincular as universidades privadas a um processo de desenvolvimento do país. O Prouni atende bastante nos cursos menos caros, como letras, pedagogia, cursos importantíssimos. Mas o Brasil tem também um déficit de engenheiros, de médicos… O Prouni tem que suprir estas necessidades também”.E falou que é hora de repensar a permanência do estudante na univrsidade: “sete em cada dez estudantes brasileiros trabalham. Hoje o estudante não chega para passar o dia todo na universidade. A universidade sabe lidar com isso? Acredito que isso só reafirma a necessidade e de ampliação das verbas para assistência estudantil no país. Não como uma política de assistencialismo, mas como política de permanência e desenvolvimento do aluno”, disse.
Para Yuri Becker, presidente da União Catarinense dos Estudantes (UCE), assistência estudantil não é só bandejão. Segundo ele até mesmo acompanhamento psicossocial nas universidades: “O Ensino médio da escola pública é pior que das privadas. Então o aluno que vem da pública começa a ter dificuldades. O negro que entra numa universidade pública, que é ainda elitizada, sofre preconceito. Por isso a luta da União Nacional dos Estudantes e de todos os estudantes é que possamos ter políticas de assistência estudantil”, concluiu.
Em suas falas os debatedores também foram unânimes ao defenderem uma mudança na formação dos discentes. Segundo eles a cultura das universidades é a formação de profissionais que apenas preenchem postos de trabalho e não a formação de cidadãos.
A mercantilização do ensino superior também foi apontada como ponto primordial na qualidade do ensino. Isso porque as universidades privadas, em sua maioria, visam somente o lucro e oferecem um ensino precário, desde a grade até a estrutura.
Maria Clotilde, da Contee, comentou em sua fala a expansão privativa, que a partir da década de 90 atende a uma legislação que facilita os processos de autorização. “A partir de 2005 começa conglomerados de nomes que vão pra bolsa e colocam a educação como mercadoria. Este processo mercantil ganhou muita força e esses conglomerados continuam. Não há comprometimento com o crescimento da nação”.
Gustavo Balduíno ligou as deficiências do sistema do ensino médio diretamente à performance dos alunos nas universidades: No ensino superior tem mais vaga do que candidato. No médio temos poucos alunos, poucas vagas e pouca qualidade. Certamente isto é o esteio central do problema da educação. Vamos cuidar do ensino médio que alcançaremos os dois lados do problema.
O encontro deixa uma certeza: é preciso rever nosso sistema educacional. A política de educação brasileira tem que estar ligada a outras políticas, que propiciarão o quadro necessário para o crescimento da educação.
Yuri Salvador