Nesta terça-feira (8) pela manhã, mais um debate realizado durante a reunião da diretoria plena da UNE mergulhou num rico processo de reflexão sobre os desafios dos movimentos sociais na atualidade, em especial o movimento estudantil. Essa é a 2ª reunião do pleno realizada nesta gestão e contou com a participação de dirigentes de todos os estados.
O debate “Brasil + 10: O Brasil a 10 anos do bicentenário da Independência e o contexto mundial” aconteceu na Faculdade Paulista de Artes (FPA), em São Paulo, e contou com a presença do presidente do Centro Barão de Itararé, Altamiro Borges; o advogado e membro da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política, Luciano Santos; o secretário de organização do PPL, Mauro Bianco; e o membro do Jornal Verdade, Anderson Pinheiro.
Tema Central
Entre outras pautas analisadas, a atual crise do capitalismo foi o tema central do debate. Os convidados elucidaram pontos importantes e convergiram no que diz respeito a problemática em questão: a crise que se estabeleceu neste último período é mais profunda e bastante diferente da que assombrou os anos de 1929 e 1930. Todos anseiam por reformas políticas consistentes.
Segundo os convidados, essa não é a primeira crise do sistema financeiro nem será a última. Altamiro Borges, por exemplo, acredita que o mais agravante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é a combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. “A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia. Essa que vivemos é a mais grave das crises. Vocês, estudantes, estão sentados em cima de um vulcão, cuidado que vai arder o bumbum”, chegou a brincar.
Altamiro também destacou que o mundo hoje está mais perigoso e carregado de incertezas. Nos EUA e Europa, os trabalhadores são as principais vítimas da prolongada e sistêmica crise capitalista, com a explosão do desemprego, a regressão de direitos e a ascensão de governos dos banqueiros, “num novo tipo de fascismo”, como ele mesmo avalia.
Mauro Bianco, que já foi diretor da UNE, considera que as potências capitalistas se tornam cada vez mais agressivas. Para contextualizar o enfoque, ele fez um balanço econômico mundial e apontou um problema grave, que inclusive é muito discutido pela UNE: o Brasil gasta atualmente 45% do orçamento da União com pagamento de juros e amortizações da dívida. “Metade do orçamento, que se totaliza em 1,414 trilhões de reais, é drenado para bancos estrangeiros. Olha quanto dinheiro que poderíamos desviar para melhorar a saúde pública, a educação e a qualidade de vida da população brasileira. Isso é lamentável”, questionou.
E a educação?
O Brasil é a sexta economia do mundo, posição tomada recentemente da Inglaterra, mas, ao mesmo tempo, ocupa só a 88ª posição no ranking das Nações Unidas na área da educação. O movimento estudantil brasileiro entende que investir na educação é o único caminho para superar problemas históricos, combater a desigualdade, distribuir renda e vencer a pobreza , corrupção e os preconceitos.
Diante da crise apontada pelos convidados, foi unânime por parte dos estudantes a ideia de que é intolerável que o pagamento da dívida pública seja superior aos investimentos na educação e que os juros reais praticados no país, os mais altos do mundo, provoquem um repuxo no desenvolvimento do país.
“Temos a certeza de que as mudanças que tanto queremos serão vislumbradas, somente, com a aplicação de, pelo menos, 10% do PIB brasileiro diretamente nesse setor. Defendemos também a destinação de 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal exclusivamente para a educação, ciência, tecnologia e inovação. Em relação a crise, devemos nos organizar e apresentar opiniões avançadas”, pontuou Luiza Lafetá, 1ª diretora de relações internacionais.
Patricia Blumberg