A Bienal da União Nacional dos Estudantes, o maior e mais importante evento que difunde a produção cultural universitária no Brasil, realiza sua 8ª edição em Recife e Olinda de 22 a 26 de janeiro. Nessa vitrine da produção artística juvenil não faltam temas que despertam discussões importantes para a sociedade.

Portanto, o direito à liberdade sexual e a igualdade de gênero, bem como o respeito à diferença no Brasil são lutas que a UNE estimula na discussão dos jovens afim de fortalecer a cultura da paz e a aceitação do outro.

Exemplo é o curta metragem “A importância da aceitação familiar”, da estudante Iris Lima, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). No filme de 40 minutos que será exibido na Mostra de Audiovisual do festival, a piauense de 23 anos retrata a realidade dos homossexuais na sua cidade natal, Teresina.

“Se formos apoiados, respeitados no ambiente familiar, nos tornaremos mais fortes para enfrentar o preconceito que vem da sociedade. Eu não tenho problemas com os meus pais, mas a minha companheira sofre muito por conta disso por não ter o mesmo apoio”, explicou.

Ensinar tolerância e respeito também foram as motivações do estudante paranaense Vinicius Ruas Maderi, para o desenvolvimento do seu projeto de Extensão junto a Pró-reitoria da Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA).  

Selecionado na Mostra de Projetos de Extensão da Bienal o ‘Cinescrevendo: gênero e práticas identitárias no cinema latino-americano’ usa igualmente o cinema para discutir sexualidade, mas a partir da apresentação de filmes e da discussão de textos. O projeto debate temas como resistência, gênero, identidade, violência, entre outros em escolas e instituições.  “Minha linha de atuação dentro do projeto é sobre bissexualidade e como ela é discriminada dentro da própria comunidade LGBT”, explica Vinícius.

Já o espetáculo de rua “Filhas de Maria, Cheias de Graça” do grupo baiano  Baphão Queer, selecionado na Mostra de Artes Cênicas, vai um pouco mais além da discussão da sexualidade e critica a atual conjuntura política e seus discursos ofensivos e desrespeitosos contra homossexuais.

“Em tons de humor satirizamos o posicionamento de grupos políticos e religiosos que fortalecem a homofobia e que têm provocado muitos casos de violência com morte, em todo o Nordeste”, destacou o estudante de UFBA Leonardo Bispo Pires, artista do grupo. 

A Mostra de audiovisual também traz registros como “Corpo a corpo” do estudante carioca Adil Lepri, da Universidade Federal Fluminense  que conta a história da Parada do Orgulho Gay e do movimento LGBT da cidade de Niterói através de depoimentos dos militantes que participaram do processo.

ROSA PARA MENINAS E AZUL PARA MENINOS

Questões de gênero também são assuntos para a mostra de Ciência e Tecnologia da Bienal da UNE.  O trabalho do estudante de pedagogia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Abraão Felipe Santos de Oliveira, “Rosa para meninas, azul para meninos: a escola na construção do que é feminino e masculino”, investigou bibliografias, parâmetro curriculares nacionais e percebeu a necessidade dos professores compreenderem e incorporarem práticas pedagógicas a uma visão multiculturalista.  

Segundo o estudo, o espaço escolar é o primeiro local de socialização coletiva da criança, onde ela passará a conviver com as diferenças. O intuito do trabalho é contribuir com as relações que se estabelecem na escola entre meninos e meninas para que professores e equipe escolar possam obter um novo olhar sobre os conflitos, e que sejam diluídas as práticas sexistas e homofóbicas no ambiente educacional.

Da Redação