Um triste incidente marcou as mobilizações para o 14º Conselho das Entidades de Base (CONEB) e para a 8ª Bienal da UNE na Paraíba. Na noite da terça-feira ( 04/12,), durante reunião entre lideranças estudantis da UNPB/FPB, a diretora da UNE, Maria das Neves, foi agredida verbalmente e empurrada por um grupo de cinco estudantes do curso de direito da universidade.
Após a agressão, Maria se dirigiu imediatamente a uma delegacia da mulher para prestar queixa do ocorrido, orientação que foi reforçada pela universidade. A estudante fez um Boletim de Ocorrência (B.O) e também um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO), o que quer dizer que os agressores serão convocados à depor na delegacia a responderão criminalmente pelos seus atos. Por sua vez, a universidade ficou de notificar os agressores.
“Chegando à delegacia, soube que a agressão não se enquadra na Lei Maria da Penha, que pressupõe um envolvimento afetivo com o agressor, mas, sim que se tratava de um crime de gênero”, explicou Maria.
Apesar de Maria não ter sido fisicamente agredida, sofreu ameaças e a situação se enquadra nos Crimes de Gênero. “Ameaçar uma mulher por ser mulher é crime de gênero. Qualquer mulher que se sinta ameaçada por um homem deve procurar a delegacia da mulher e denunciar. Não podemos ficar a mercê de sermos interpeladas por homens, que por serem mais fortes, se sentem capazes de nos coagir. Precisamos fazer valer nossos direitos.”, explicou Maria.
A agressão
De acordo com o relato de outra estudante presente na sala da reunião, o grupo de cinco estudantes agressores questionou a diretora em relação à regulamentação das carteirinhas emitidas pela UNE, tema que não estava sendo discutido na reunião. A diretora explicou que não era ela a pessoa mais indicada para dar explicações sobre o tema e que aquela reunião estava acontecendo para que os estudantes da UNPB/FPB pudessem se organizar para participar do CONEB e da Bienal.
“O grupo começou a ‘xingar’ a Maria de babaca, otária e disseram que iriam ‘dar porrada’ nela. Foi uma agressão direcionada diretamente à ela. Eles falaram que eram de um movimento chamado MDU, o qual eu nunca ouvi falar”, relatou a estudante, que não quis se identificar. De acordo com ela, na hora da agressão estavam na sala somente ela, Maria e o grupo, que barrou a porta impedindo a passagem.
“Eles apontaram o dedo para mim, falaram que iriam acabar comigo. Me chamaram de ignorante e usaram palavras de baixo calão. Me empurraram e me cercaram, eu não tinha como sair. Um deles estava segurando a porta. Se eu não tivesse outra estudante ali, eu teria sido agredida dentro da universidade por esses estudantes”, explicou Maria
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Da Redação