Nem todas as delegações conseguiram chegar para a abertura do 53º Congresso da UNE, muitas ainda estão na estrada. No entanto, os jovens que já se encontram na capital estudantil demonstram disposição. Apesar de horas de viagem, muita bagagem e até dias sem dormir, a expectativa parece que venceu o cansaço.
São centenas de milhares que querem construir um Congresso do tamanho do Brasil. É o caso do estudante de ciências contábeis da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Arthur Wagner, que viajou dois dias e meio para chegar a Goiânia. “Viajamos debatendo os costumes religiosos no Brasil, passamos pela conjuntura do movimento estudantil e chegamos a uma boa discussão sobre a sociedade. Essa parte do Congresso, de viajar com a sua universidade, é interessante porque conseguimos nos conhecer melhor. O movimento estudantil na Paraíba ainda é jovem e a viagem conseguiu consolidar um pouco nossas ideias e desafios”, explicou o estudante.
Já do Pará, o estudante de jornalismo da Estácio de Sá, Igor Costa, contou que, apesar das diversas paradas durante o percurso, a viagem foi bastante alegre. Durante dois dias, cantaram, discutiram movimento estudantil e até formaram uma rádio dentro do ônibus, que alternava palavras de ordem e músicas regionais no ritmo do carimbó.
“Viemos para defender mais investimentos na educação e, acima de tudo, a questão da assistência estudantil. Ainda existem muitos cursos sem estrutura e isso precisa mudar”, analisou.
ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL É CONSENSO
Um outro estudante que elencou o debate da assistência estudantil como um dos principais a serem firmados no Congresso foi o sul-matogrossense Fernando Queiroz. Ele participa da Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD). Fernando é novo no movimento estudantil e esse é o seu primeiro congresso.
“Estar no Congresso da UNE é um grande aprendizado. A troca de informações propicia a mudança. Pretendo levar os conhecimentos daqui para o meu estado e para a minha universidade, que precisa melhorar em assistência estudantil e infraestrutura.
A recém-formada Carla Bueno segue a mesma linha. Para ela, a luta pela educação e o acesso à universidade pública passam, impreterivelmente, pelas políticas de assistência estudantil. Ela ainda coloca na lista das prioridades o debate sobre democratização da mídia e reforma política.
Vale ressaltar que o acesso à universidade, ainda em crescente expansão no Brasil, precisa urgentemente de investimentos em todo o país. Programas de bolsas, restaurante universitário, moradias estudantis, passe-livre e creches se fazem essenciais para a permanência dos estudantes nas universidades.A assistência se tornou obrigatória em 2007, com a criação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Ele prevê o cumprimento de dez critérios. Além dos auxílios que garantem a permanência, passa ainda por cultura e esporte, entre outros itens, beneficiando alunos com renda per capta de até um salário mínimo e meio.
DE GUINE BISSAU DIRETO PARA O CONUNE
O estudante da Universidade Vale do Acaraú (UVA), Evaldo Macedo, tomou conhecimento do CONUNE através do DCE de sua universidade. Ele é natural de Guiné Bissau e prestou vestibular para estudar no Brasil. Após uma série de provas, Evaldo conseguiu passar no curso de ciências gerenciais.
“O Brasil é muito parecido com meu país. É também muito próximo. Em cinco horas de voo já consigo visitar meus familiares. Ceará foi um estado que me acolheu super bem. Fiz grandes amigos, que considero irmãos e também muitas paqueras”, brincou.
Evaldo é delegado no Congresso e espera levar essa nova experiência para sua vida. Considera a luta pelos 10% do PIB muito importante e espera que nos próximos anos esse número aumente ainda mais.
“Para que o país possa crescer temos que investir duramente em educação. O Brasil é a sexta economia mundial e, por isso, não precisamos ficar para trás nesse quesito. Em relação a outros países da Europa, estamos extremamente atrasados”, avaliou.
Evaldo espera contribuir nas plenárias, levar um relatório favorável para a sua universidade, fazer novas amizades e quem sabe virar um novo diretor da UNE na próxima gestão.
Da Redação