O domingo de páscoa (6/4) foi um dia de muita luta e engajamento para os mais de 600 estudantes que estiveram presentes durante a IV edição do Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune), realizado na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), em Salvador.

Um debate intitulado ”Vozes da juventude contra a violência”, a plenária final e uma grande manifestação encerraram esta que foi a maior edição do evento na história da entidade estudantil.

”Este é um ano de muita luta para travar o ímpeto das forças conservadoras que crescem em nosso país. Precisamos ir pra cima, extrapolar a nossa zona de comunicação e fortalecer o debate. Eventos como o Enune com essa pujança e vibração são sinais das vitórias que acumulamos nos últimos 12 anos com a política nacional de juventude. Vamos implementar a nossa agenda do direito a vida e da dignidade da população negra”, destacou a presidenta do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Ângela Guimarães, presente no evento.

GENOCÍDIO NÃO!

Ao final dos debates, os estudantes seguiram em marcha pelos arredores da Uneb, localizada no bairro do Cabula onde recentemente 13 jovens negros e pobres foram assassinados pela polícia militar.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes tomaram uma das pistas da Rua Silveira Martins e realizaram um grande ato pelo fim do genocídio da juventude negra e contra a redução da maioridade penal.

Em memória aos jovens mortos, os estudantes interromperam o trânsito e fizeram um minuto de silêncio. Treze corpos também foram pintados no asfalto para relembrar vítimas.

Para a diretora de combate ao racismo da UNE, Marcela Ribeiro, este foi um ato muito simbólico que ressalta a importância de encontros como o Enune. ” Saímos ás ruas para dizer que queremos o fim d0 genocídio da juventude negra e também para dizer não à redução da maioridade penal. Povo negro unido é povo negro forte para construir uma sociedade mais justa, mais igualitária, livre das chagas do racismo”, falou.

Renata Bars