A poesia do romanceiro popular nordestino, misturada aos traços históricos das ladeiras de Olinda, cerca por todos os lados a oitava edição da Bienal da UNE. Começou o maior evento estudantil da América-Latina e a charmosa Praça do Carmo está tomada por estudantes do Brasil.
“Moro há oitenta e sete anos aqui e nunca vi um negócio desses. É muita alegria junta num espacinho tão pequeno desse canto de Olinda”, observou, admirado, o servidor público aposentado Ouvidio Silva, que caminha diariamente pela praça desde que era menino.
Neste 23 de janeiro, ele presenciou a chegada de milhares de jovens prontos para sorver a cultura popular e mostrar para o Brasil todo que é possível interpretar a nova realidade social pela batida da sanfona.
“Posso dizer que a Praça do Carmo está bem mais colorida assim”, concluiu seu Olavo, que sentou pausadamente no banco ao lado das tendas instaladas para observar mais um pouquinho a confusão.
Colorida e diversa
A Bienal está montada para todos os gostos e com todas as cores. Está dividida em seis grandes espaços, onde será possível desfrutar toda programação do festival.
Com pufes e almofadas em chita, tecidos de flores no teto e um cercadinho de madeira ao redor, o Espaço Gonzagão, ou Forrobodó, é o marco zero da praça dos estudantes. Lá acontecerão atividades culturais, aulas-espetáculos, saraus e lançamento de livros.
À esquerda do Forróbodó está o Alto da Igreja do Carmo, totalmente decorada com a arte do festival. O palco está montado para receber a mostra de artes cênicas e promete ser uma das bonitas passagens da Bienal.
Mais para frente, é possível avistar a Faculdade de Olinda (FOCCA) e a Biblioteca Municipal. O primeiro local abriga as atividades de cinema, a mostra estudantil de ciência e tecnologia e a mostra de projetos de extensão. Já a Biblioteca Municipal recebe a mostra estudantil de artes visuais e algumas oficinas e minicursos.
Atrás do Forrobodó, no espaço Yanni Marques, a estrutura está montada para a prática de skate, além das batalhas de rap e repente. Saindo um pouco do fluxo, no Clube Atlântico de Olinda, vai acontecer ainda a mostra de música da Bienal, com doze bandas e artistas estudantis de diversas partes do país. Já é possível ouvir o som que sai de lá aqui mesmo da Praça do Carmo.
Patrícia Blumberg
Foto: Fábio Bardella