A coluna tá cheia de dicas legais para a estudantada hoje. Tem música, teatro, cinema, uma exposição bacana e a dica comentada é de um documentário que tá emocionando geral. Queremos dar mais dicas culturais que estão acontecendo nas universidades Brasilzão afora. Tem coisa boa rolando aí na sua? Manda para o [email protected] que a gente dá o crédito. Bom fim de semana!

LONDRINA – PR

O que? Show da Gal Costa dentro do espaço Cabaré do Filo – Festival de Teatro de Londrina. Mais de 100 apresentações de teatro adulto e infantil, bonecos, dança, música e circo. Quando? 31/08 às 23h. Onde? Espaço Cabaré (Tenda montada dentro Parque de exposições Ney Braga) Quanto? R$ 40 inteira e R$ 20 meia. Informações: filo.art.br

DOURADOS – MT

O que? 6ª edição do Circuito Dança no Mato, Espetáculo Singulares (sexta) e espetáculo Urbanóides (sábado), da Cia Dançurbana. Quando? 31/8 e 1/9, às 20h. Onde? Teatro Municipal – Parque dos Ipês. Quanto? Entrada franca. Informações: 67 3316-9169

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA

O que? Documentário Sinais de Cinza, dentro da Mostra Cinema Conquista. O Doc resgata momentos marcantes na vida do cineasta Oldney São Paulo. Autodidata, sertanejo de Feira de Santana, e dono de uma poesia audiovisual única, a trajetória de Oldney foi interrompida pelas atrocidades cometidas na Ditadura Militar. Preso, torturado e processado pela realização de uma obra cinematográfica. Quando? 1/09 às 19h40. A Mostra vai até dia 6/09. Onde? Centro de Cultura (Av. Rosa Cruz, 45) Quanto? Entrada franca. Informações: mostracinemaconquista.com.br

ARACAJÚ-SE

O que? Espetáculo ‘Saluba.Medeia’. Versão inédita e contemporânea baseada no mito de Medeia, uma das personagens mais marcantes da galeria trágica grega. Movida pelo ciúme ela não usa a força como arma de vingança. Em vez disso, usa os poderes da persuasão e da feitiçaria para reparar a desonra que acredita ter sofrido, quando Creonte, o rei de Corinto, dissolve seu casamento com Jasão e o obriga a casar com sua filha, Creusa. Quando? Sexta e sábado, às 20h e domingo, às 19h. Onde? Teatro Lourival Baptista (Av. Basílio Rocha, 407, Getúlio Vargas). Quanto? R$ 20, inteira e R$ 10 meia. Os acadêmicos do curso de Teatro da Universidade Federal de Sergipe poderão adquiri-los a R$ 5 e todas as sextas-feiras, o acesso é gratuito para alunos de escolas públicas. Informações: cultura.se.gov.br

BOA VISTA – RR

O que? Exposição Drummond – Testemunho da Experiência Humana. A exposição integra o Projeto Memória, são 16 painéis contendo textos e ilustrações sobre a vida do poeta Carlos Drummond de Andrade. O visitante poderá ainda assistir um documentário sobre a vida do poeta durante a visita a exposição. Quando? Cerimônia de Abertura 30/8 às 19h. Até 18/10. Onde? Espaço de Arte e Cultura “União Operária” da UFRR, (Avenida Nossa Senhora da Consolata, nº 565, Centro) Quanto? Entrada franca.

VITÓRIA – ES

O que? Espetáculo instrumental brasileiro, sons africanos e jazz. Com Paulo Sodré e o pianista Roger Bezerra. Quando? Sexta (30) às 21h. Onde? Teatro do Sesi (R. Tupinambás, 240, Jardim da Penha). Quanto? R$ 20 inteira, R$ 10 meia. Informações: (27) 3334-7300 / 7321

Filme

Quero ser mãe!

Não sou pai. Mas deu vontade de ser. E, ao sair do cinema, deu mais vontade ainda de ser mãe. Sim, quero ser mãe e meu filho vai nascer de parto natural. Se era para formar opinião, o filme-militante “O renascimento do parto” deu resultado. Não falo por todos, mas um espectador como eu, passivo até o caroço, que chorou junto com cada uma daquelas mulheres que davam a luz no filme, é capaz de sair da sala de exibição desesperado querendo ligar para a mãe e saber como cheguei ao mundo. Aqui estou por meio de uma incisão cirúrgica de nome feia chamada cesárea com aplicações de uma tal de ocitocina (hormônios para estimular as contrações musculares) ou, como fala um dos entrevistados repetidamente no filme, respeitaram o meu tempo e quando eu quis resolvi sair da barriga naturalmente? E o quanto isso pode mudar a nossa forma de ver e entender as coisas ao nosso redor?

O fato sério é que o documentário denuncia uma prática que, por diversos interesses nefastos, consolidaram no Brasil a edificação de uma “indústria do parto”, envolvendo lucros e maculações entre planos de saúde, hospitais (principalmente os particulares) e médicos. Uma reflexão também sobre a desumanização das nossas relações, na qual a maternidade e a atividade médica, essa passando por crise existencial e de caráter no país, são negócios e como tais seguem a lógica do mercado e a máxima bizarra “time is money”. Daí, a solução para a equação. Um parto normal pode levar horas e demandaria, então, a atenção de uma equipe médica a uma única mulher. Tempo, gente, dinheiro. Já o processo cirúrgico da cesárea tem hora marcada, demora pouco, reduz custos, e possibilita ao médico, como um mestre ninja do bisturi, dissecar sabe-se lá quantas barrigas em um dia de trabalho árduo e dedicado.

O filme, no entanto não faz a inquisição contra a prática da cesárea e não manda para fogueira todos os bruxos do bisturi. Sim, falta mais o contraditório. Seria necessário, para uma visão completa, seguindo a intuição jornalística de “ouvir os dois lados”, procurar médicos e especialistas com opiniões contrárias ou no mínimo com ponderações sobre o parto natural. Mas o filme é militante. E nesse ponto não peca, cumpre o seu papel. Por meio de depoimentos de especialista e mães revelam casos como a mulher que teve três filhos, um de cesárea (traumático, segundo ela), outro de parto natural no hospital e o último dentro da própria casa. Ou relatos de mães que denunciam certo “terror psicológico” dos médicos com frases do tipo “mas você vai mesmo fazer um parto natural?” ou “você é corajosa, heim, de querer fazer um parto natural”. Outra contribuição do documentário é tentar desmistificar alguma lendas como a do “cordão assassino”, sobre o perigo do cordão umbilical poder enforcar o bebê no momento do nascimento. Mito ou verdade? Segundo o filme, mito, com possibilidades mínimas de acontecer.

Esteticamente, o filme vem carregado de clichês e traz uma linguagem mais próxima da televisão do que do cinema. Um exemplo são as falas sobre o parto natural sempre casadas com cenas belas de cidades como o Rio de Janeiro, o Cristo, as praias e as paisagens, com forte trilha sonora positiva. Ficando músicas sombrias para as cenas dos momentos das terríveis cesáreas. Mas isso pouco importa, já que me imaginar mãe também não é das experiências mais esteticamente interessantes, né. É um filme importante. Vale a pena ser visto e divulgado. E em meio ao emaranhado de pautas das grandes manifestações de junho, taí mais uma para ser grafada nas cartolinas da juventude. (Rafael Minoro)

O que? Documentário O renascimento do parto, direção de Eduardo Chauvet

Onde? Em cartaz nos cinemas

 Assista o trailer:

 Cristiane Tada