A coluna desta semana é uma homenagem ao ator e diretor carioca Hugo Carvana, que nos deixou este mês. Aos 77 anos ele trabalhou em mais de cem filmes e dirigiu nove entre eles alguns premiados como Vai trabalhar Vagabundo e Bar Esperança. O ator já foi definido como a “cara” do cinema novo brasileiro, momento cinematográfico mais importante do nosso país, atuando em filmes como Terra em Transe e A Falecida. Militante do CPC da UNE, combateu a ditadura militar, e teve uma vida política bem atuante sendo referência em mobilização da classe artística nas Diretas Já. A UNE perdeu um amigo. Sua obra será eterna. Aproveitem!
O Homem Nu (1996) Direção: Hugo Carvana
Noite de sonho com bela mulata torna-se pesadelo para o professor Proença na manhã seguinte, quando, completamente nu, ele se tranca do lado de fora do apartamento. Perseguido pelos vizinhos, a imprensa e a polícia, ele passa por uma série de situações cômicas enquanto tenta voltar para casa. Carvana traz para a paranóia urbana dos anos 90 o clássico de Sabino, filmado nos anos 60 por Roberto Santos.
Terra em Transe (1967) Direção: Glauber Rocha
O filme é um poema, declamado durante o transe vivido pelo personagem Paulo Martins na hora de sua morte. É por meio da visão atormentada do poeta que o filme é criado, levando para a tela a fusão entre o fantástico e o real. Em planos de filmagem incomuns, Glauber expôs de forma poético-política as contradições do nascimento e da colonização de Eldorado – país imaginário – permeadas pela tradição cultural brasileira, fazendo alusão ao momento político vivido pelo Brasil entre 1960 e 1966.O filme pode ser lido como uma grande parábola da história do Brasil no período 1960-66, na medida em que metaforiza em seus personagens diferentes tendências políticas presentes no Brasil no contexto.
O desafio(1965) Direção: Paulo César Saraceni
Por tratar do romance entre a mulher de um rico industrial, Ada e Marcelo (Vianinha), um estudante de esquerda, o filme foi entendido como apologia do amor entre as classes. Passou pela censura do regime militar. Pode-se dizer que o diretor quis investigar as razões do Golpe Militar de 1964 (a traição da burguesia industrial, que não se mostrou progressista) e seu impacto psicológico sobre os intelectuais.
A queda (1976) Direção: Ruy Guerra
Conta a história de um operário, empregado na construção do metrô do Rio de Janeiro que, em um dia aparentemente comum em seu trabalho, cai e morre, devido à falta de segurança na obra. A empreiteira evita a divulgação do ocorrido e tenta subornar a viúva, para que a responsabilidade da morte recaia sobre a própria vítima. O sogro do operário, contando com a ajuda de um jornalista e de um advogado, decide lutar para que a verdade e a justiça prevaleçam.
Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969) Direção: Glauber Rocha
O pistoleiro Antônio das Mortes é contratado para matar o novo líder do cangaço no sertão nordestino. Contudo – durante e após sua missão – Antônio passa a rever suas atitudes e, movido por remorso, entra em conflito com um “coronel” que domina a região e os jagunços que o servem.
Quando o carnaval chegar (1972) Escrito e dirigido por Carlos Diegues, Hugo Carvana e Chico Buarque.
O empresário de um grupo de cantores sem sucesso lhes consegue um contrato para que se apresentem em homenagem a um rei que chegará à cidade para o Carnaval. Discussões internas, romances inesperados e defecções impedem que o espetáculo se realize. Mas os artistas voltam a se juntar, apresentando-se em shows mambembes.
Cristiane Tada