Fim de semana chegou e com ele a nossa coluna cheia de dicas legais. Hoje em especial ao Dia da Mulher Negra tem vários eventos enfocando este tema. Legal, porque é importante celebrar a herança da nossa cultura negra. Mas tem também dica de teatro, um festival bem plural, e um festival de animação muito bacana. A dica comentada tá toda cheia de marra e fala rapper curitibana Karol Conka. Aproveitem!

RECIFE – PE

O que? Exposição Oficina Guaianases de Gravuras: o olhar Feminino, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Sob a curadoria do artista plástico Rinaldo Silva, a mostra vai trazer obras de um dos movimentos artísticos mais significativos e duradouros do estado de Pernambuco, com repercussão nacional – a Oficina Guaianases de Gravuras – que tem em seu acervo a importante participação de mulheres artistas. Quando? A partir do sábado (26/07) até o dia 30/09,de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, das 13h às 17h. Onde? Museu da Abolição –MAB- (Rua Benfica, nº 1150, no bairro de Madalena).

SALVADOR – BA

O que? Projeto Arte em Paralaxe – Artistas livres na praça. Serão apresentados 19 trabalhos na área de artes visuais, 16 em dança, nove espetáculos musicais, sete teatrais, além de seis ações no campo da literatura. O evento integra as ações do programa da Universidade Federal da Bahia (Ufba) em Paralaxe. Quando? Até 25/07 das 10h às 22h. Onde? Praça das Artes, Campus de Ondina da UFBA. Quanto? Entrada gratuita.

RIO DE JANEIRO – RJ

O que? 22ª edição do festival Anima Mundi. A programação conta com as mostras panorama, infantil, curtas e portifólio. Além disso, o evento contará com Oficinas do Estúdio Aberto, o Anima Forum, as Masterclasses, o Anima Business, os Papos Animados. Este ano o festival conta com aproximadamente 525 produções, sendo 141 brasileiras, espalhadas por 14 categorias. E, como nos outros anos, o público é convidado a votar no fim de cada sessão. Quando? De 25 a 3/08. Onde? Fundição Progresso, o Espaço Itaú de Cinema, o Oi Futuro Ipanema e o Centro Cultural da Light. Quanto? R$ 10 inteira e R$5 meia. Programação completa aqui.

BRASÍLIA – DF

O que? Festival Latinidades – Griôs da Diáspora Negra. Na programação cultural estarão grandes shows, sarau negro internacional, performances, espetáculo teatral, moda, artesanato, culinária, capoeira, lançamentos literários, oficinas artísticas a muito mais. O festival discute políticas públicas para a valorização de noss@s griôs e para a preservação da tradição oral, especificamente passada por nossas mestras negras negr@s que atuam nos mais diversos campos e linguagens, o que vai se dar por meio de diversas mesas e conferências especiais. Para shows, encontro de saraus, panfletaço, lançamentos literários e feira preta não é necessário inscrição prévia. Quando? Até o dia 28/07. Shows com Elza Soares, Divas do Jazz, Vox Sambou, Dona Marinha do Coco, Martiná’lia, Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda nos dias 26 e 27. Onde? Museu Nacional (Setor Cultural Sul, lote 2, próximo à Rodoviária do Plano Piloto – Zona 0). Programação completa aqui.

 FLORIANÓPOLIS- SC

O que? O espetáculo O Abajur Lilás. A montagem da peça faz parte da disciplina Processos Criativos, do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina. O Abajur Lilás revela a verdade única na relação entre Giro (cafetão e dono do mocó), seu truculento auxiliar (Osvaldo), e as prostitutas Dilma, Célia e Leninha. Cada personagem exerce uma função específica na trama, buscando garantir sua segurança econômica por meio de obsessão e ganância; o desafio da sobrevivência é o que as anima. Algo inesperado acontece no mocó, e as três prostitutas são as suspeitas imediatas. Quando? Dias 25, 26 e 27/07, de sexta-feira a domingo, às 20 horas. Onde? Teatro da UFSC (Praça Santos Dumont, bairro Trindade, ao lado da Igrejinha) Quanto? Entrada gratuita.

MÚSICA

Baixe aqui o cd da Karol Conka

Por R$ 28,00 aqui

* Dica comentada por Renata Bars

Batuk Freak e a potência do beat

Pop, eletro, hip-hop e baile funk. Não precisa escolher. ”Batuk Freak”, disco de estreia da rapper curitibana Karol Conka, tem tudo isso e mais um pouco.

Lançado no final de 2013, o álbum traz 12 faixas, todas escritas por Karol com produção do beatmaker Nave.

Saindo um pouco da linha do hip-hop sisudo, Conka imprime em cada uma de suas canções um estilo despojado, valente, divertido e digamos um pouco contestador e feminista. Suas letras trazem de maneira leve porém incisiva uma resposta ao racismo sofrido em sua infância. Em ”Bate a poeira”, Karol rebate ”Há tanta gente infeliz /Com vergonha da beleza natural/É só mais um aprendiz/Que se esconde atrás de uma vida virtual/Gorda, preta, loira o que tiver que ser/Magra, santa, doida somos a força e o poder/Basta, chega, bora, levanta a cabeça e vê. Foi nessa pegada que o disco me conquistou. É contestador sem ser pesado, é pop sem ser cópia, é sexy sem ser vulgar (aqui o riso é livre!).

Atualmente em turnê pela Europa, a cantora chegou a ser comparada pelos jornais franceses à rapper britânica M.I.A. Pra mim, a comparação é válida, mas com um ponto de vantagem pra Conka – ela é latina. Na minha opinião ninguém melhor que nós, latinos, para acrescentar ritmo e apimentar as estruturas musicais.

”A batida me causa febre aquecida nada interfere” é um dos versos da canção Boa Noite, penúltima do disco. Contudo, não é preciso chegar até ela pra sentir a temperatura elevar.

Cristiane Tada