O dia mais feliz da semana tá aí de novo, e com ele nossos destaques para o fim de semana e para a próxima semana. Hoje a coluna tá cheia de exposições de arte, além de um festival de cinema universitário muito legal no Maranhão. No Sul tem uma apresentação de Ópera clássica, e a dica comentada fala do novo livro do peruano Daniel Alarcón. É só aproveitar, galera! E não esquece de se corresponder com a gente no [email protected] Até semana que vem!

NITERÓI –RJ

O que? A mostra Narrativas Infecciosas, promovida pelo Centro de Artes Universidade Federal Fluminense, está inserida em um conjunto de atividades envolvendo a arte do mosaico. A coordenação é feita pelo artista plástico brasileiro radicado na Holanda Marcelo de Melo. Na exposição o artista expõe obras recentes das séries Corpos Musivos e Narrativas Infecciosas. O objetivo é apresentar a arte do mosaico enquanto prática artística milenar, inserindo-a em um contexto contemporâneo. Onde? Galeria de Arte UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí). Quando? Até 03 de setembro. De segunda a sexta das 10h às 21h, sábados e domingos das 14h às 21h. Quanto? Entrada gratuita.

SÃO LUÍS – MA

O que? 37º Festival Guarnicê de Cinema, o mais antigo festival de cinema do Brasil promovido por universidades. Ao todo serão mais de 30 horas de exibição de filmes de todos os cantos do país entre docs, ficção, animação, e outros. Tem também palestras e oficinas. Onde? Cine Praia Grande ( Centro Histórico de São Luís) Quando? Abertura esta segunda-feira, 21/0 às 19h. Confira a programação aqui. 

NATAL – RN

O que? Exposição coletiva Linguagens e Expressões com obras de vários artistas. Quando? Até 31/07 de segunda a sexta das 9h às 17h. Onde? Galeria Conviv’art do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (Centro de Convivência Djalma Marinho, sala 11, Campus Universitário, Lagoa Nova, Av. Senador Salgado Filho, 3000). Quanto? Entrada gratuita.

SALVADOR – BA

O que? Exposição O Patrimônio: Laços Ancestrais Para Unidade dos Povos da Diáspora ´África- Bahia- Brasil´. Essa exposição é resultado da parceria entre o Governo de Senegal, através do Reunion First África e o África900. Trata-se de um projeto de grande importância para a interlocução entre o Senegal e o Brasil, visando o fortalecimento dos laços identitários e estabelecendo um protocolo bilateral de expansão cultural entre os países, contribuindo para um diálogo mais próximo entre as instituições envolvidas. Quando? De segunda a sexta das 9h às 17h. Onde? Museu Afro Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, Centro Histórico). Quanto? Entrada gratuita.

PORTO ALEGRE –RS

O que? Apresentações da ópera Dido e Enéias, atividade que integra as comemorações dos 80 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Criado no século XVII pelo compositor Henry Purcell e pelo libretista Nahum Tate, este clássico da música barroca inglesa é baseado na Eneida de Virgílio e narra as consequências trágicas do amor de Dido, rainha da opulenta cidade fenícia de Cartago, por Enéias, príncipe derrotado da Guerra de Tróia e filho da deusa Afrodite com um mortal. A bela música de Henry Purcell é executada ao vivo por uma orquestra formada por professores e alunos do Departamento de Música do IA/UFRGS. Quando? 18, 19 e 20 de julho, sexta, sábado às 21h e no domingo, às 11h. Onde? Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº, Porto Alegre). Quanto? Um quilo de alimento não perecível.

LIVRO

À noite andamos em círculos

Autor? Daniel Alarcón.

Tradução de Rafael Mantovani.

Editora Alfaguara, 320 páginas.

Quanto? R$39 aqui 

*Dica comentada por Cristiane Tada 

Eu, Nelson e o Alarcón

“Durante a guerra – que o pai de Nelson chamava de os anos de tensão – alguns estudantes radicais do Conservatório fundaram uma companhia de teatro. Liam os surrealistas franceses e improvisavam adaptações de mitos quíchuas: fumavam tabaco barato e cantavam canções de protesto com letras vulgares. Riam em público como se isso fosse um ato político, mostrando os dentes e assustando as crianças. Eles eram provenientes de um modo geral, dos seguintes círculos não excludentes da juventude: os cabeludos, os trabalhadores, os sedentos de sexo, os posudos, os provincianos, os alcoólatras, os carentes emocionais, os agitadores, os oportunistas, os punks, os grudentos e os obcecados.“

Acho mesmo que só esse começo já é irresistível e não precisa de mais argumento. Mas senta que lá vem história. Vou à Feira Internacional Literária de Parati (FLIP) no fim do mês. Por isso resolvi conhecer alguns dos escritores internacionais que estarão presentes. Esbarrei na livraria com o lançamento do escritor Daniel Alarcón, À noite andamos em círculos, da editora Alfaguara, editora massa, o que já atestou que o livro merecia atenção. Assim que vi que ele era peruano, animei ainda mais. Ainda estou na fase dos escritores latinos, africanos e portugueses. Parecidos com a gente. Fuçando descobri que o Daniel fez parte da famosa lista da revista Granta que destaca os melhores escritores jovens da atualidade. E o legal de ler autores jovens é que a identificação é imediata, no modo de pensar, e nos interesses da narrativa, ainda que não escrevam sobre personagens jovens. Mas em À noite andamos em círculos o protagonista Nelson é sim um jovem que anda meio perdido na vida, sem saber o que fazer com a carreira que escolheu – ele é dramaturgo e ator – sem conseguir se entender muito bem com a família e a garota que ama. Nessas circunstâncias é que ele aceita integrar um ‘revival’ de uma antiga trupe de teatro engajado, o Diciembre, em uma turnê pelo país que nunca é identificado. Os antigos atores da trupe carregam ainda marcas da guerra, da perseguição política, e dos anos de confinamento. É nessa mistura de passado e presente que se desenrola a turnê pelo interior do país, um interior pobre e rural que poderia ser de qualquer país da América Latina. Essas marcas de um passado de instabilidade política e perseguição também traz uma identificação grande para nós brasileiros, ou seja, ele fala de coisas que podemos entender bem. Mas não se engane, como destacou crítica do New York Times, na obra os idealistas todos fugiram ou morreram e quem sobrou serve apenas de observador para um país que hoje é apenas uma sombra do que já foi. Culpa e momentos da vida que não voltam mais, para o bem e para mal, também trazem um gostinho amargo à narrativa. A jornada é para dentro do país e para dentro dos protagonistas, mas isso não quer dizer que vamos descobrir exatamente quem eles são. Sabe aquela duvidazinha picante que faz a gente ficar com o olhar parado pensativos quanto termina a última página? Pode esperar. Ahh e quem ler, por favor, me manda um email porque to louca para trocar impressões!

Cristiane Tada