Preparados para mais um fim de semana? A coluna hoje tá toda erudita, tem concertos para todo o gosto, além de cinema, e forró. Na dica comentada tem o livro do angolano, José Eduardo Agualusa, bora conferir? Ah e não esquece, manda sua dica cultural pra cá que a gente publica ([email protected])
MANAUS – AM
O que? Concerto Porque Isto é Necessário do Coral Vozes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). As músicas interpretada pelo o Coral passam por vários gêneros e estilos musicais, tais como: samba, bolero, rock, hip-hop, baião, bossa-nova, toada etc. É uma “salada sonora” com letra e música voltada para elevar o espírito e afirmar a vida. Haverá também distribuição do segundo CD da Orquestra Vozes da Ufam. Quando? Dia 6 às 19 horas. Onde? No Centro de Artes da Ufam – Caua (Rua Monsenhor Coutinho, 724, Centro). Quanto? Entrada gratuita.
SÃO CARLOS – SP
O que? CineUFSCar exibe o filme Já visto, jamais visto. Um diálogo entre as memórias de um autor, o diretor Andrea Tonacci, ícone do Cinema Marginal Brasileiro e as imagens que filmou e guardou ao longo de sua atividade cinematográfica. Segmentos de vida nunca exibidos, nunca revistos e nunca editados. Uma reflexão sobre imagens que permaneceram à margem da memória, e de memórias à beira do esquecimento, fragmentos impermanentes na mente e na matéria, que constituem a narrativa passional da momentânea invenção progressiva que temos de solidez do ser e do mundo. Tonacci participará de debate após a exibição.Quando? Quarta-feira, 11/6 às 19h. Onde? Teatro Universitário Florestan Fernandes, localizado na área Norte do Campus São Carlos. Quanto? Entrada gratuita.
NATAL – RN
O que? III Concerto Oficial da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (OSUFRN). A apresentação conta com a participação do violoncelista Lucas Barros, vencedor desta temporada do Concurso Jovem Solista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). O repertório da apresentação reúne obras de Schubert, Mussorgsky e Dvorak. Quando? Sábado (7) às 20h. Onde? Auditório Onofre Lopes, na Escola de Música da UFRN ( Av. Passeio dos Girassóis, Campus Universitário Lagoa Nova ) Quanto? Entrada gratuita. As senhas são limitadas e devem ser retiradas no local, uma hora antes do início do espetáculo.
SERRINHA – BA
O que? Forró da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Estudantes do primeiro semestre do curso de Administração, em Serrinha, realizam o evento que vai contar com shows das bandas Sabor de Mel e Meninos de Seu Del, barracas de comidas típicas, brincadeiras juninas e apresentação de quadrilha. Quando? Sexta-feira (6), a partir das 20h. Onde? Campus XI da UNEB (Rua Álvaro Augusto, s/n). Quanto? 1kg de alimento não perecível.
PORTO ALEGRE – RS
O que? Sarau de Canto do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Recital com os alunos da disciplina de canto do Departamento de Música do IA/UFRGS. No programa do recital, obras de Johann Sebastian Bach, Leonard Bernstein, Johannes Brahms, Dimitri Cervo, Gabriel Fauré, Wolfgang Amadeus Mozart, Jacques Massenet, Franz Schubert e Charles Gounod, entre outros. Quando? Sábado, (7) às 12h30. Onde? Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248, Centro) Quanto? Entrada franca.
DICA COMENTADA *POR CRISTIANE TADA
Memórias de um esquecimento
“Os dias deslizam como se fossem líquidos. Não tenho mais cadernos onde escrever. Também não tenho mais canetas. Escrevo nas paredes, com pedaços de carvão, versos sucintos. Poupo na comida, na água, no fogo e nos adjetivos” – Ludo
Continuo na onda dos escritores de língua portuguesa e ganhei de presente de uma amiga Teoria Geral do Esquecimento, do angolano José Eduardo Agualusa. Bom, a história não é lá muito uma narrativa feliz. Ludo é uma portuguesa que não sai de casa, o céu azul e o sol brilhando em vez de animá-la e promover aquela sensação gostosa de “puxa viver é bom” como faz com qualquer cristão, para ela é angústia. Logo no início do livro um desenrolar de acontecimentos a faz construir uma parede entre a porta do seu apartamento e o mundo, no caso a capital Luanda durante a guerra de independência de Angola. Do pequeno recorte do seu esconderijo ela vê as transformações do seu país, e também das suas próprias. Envelhecer sozinha esquecida para ela é reconfortante e não assustador. Teoria Geral do Esquecimento é uma história sobre o medo, daqueles tão violentos que fizeram a protagonista escolher a clausura ao calor das pessoas. Engraçado a prisão da personagem central ter como pano de fundo uma luta por independência, ou logo por liberdade.
É uma história sobre sobrevivência também. E tudo que somos capazes de fazer para sobreviver seja em guerra com os outros, ou com nós mesmos. Ou mesmo a sobrevivência de um sistema, que quando pensamos que está morto, ele se fragmenta, e se reconstrói de novos modos e ajeita novamente conforme os novos ventos.
A escassez de poesia na linguagem do escritor, é como a de Ludo que poupa tudo para sobreviver, até mesmo sentimento. Mesmo assim tem passagens de reflexão com muita beleza. E apesar dos temas pesados, é otimista.
Apesar de negar em entrevista sua preocupação com a ausência de julgamento dos personagens, eu identifiquei muito isso. Agualusa disse que as pessoas não são inteiramente boas ou más e que no caso do livro, eram “pessoas atravessando uma época de vazio de Estado, quase sem lei, onde podiam impunemente transformar-se em demônios. Mas pessoas em estado de maldade continuam a ser pessoas. Podem salvar-se, podem escolher a bondade”.
Ludo realmente existiu. O autor partiu de um fato real: a existência de 10 diários dela, narrando os 28 anos de enclausuramento. A história foi concebida primeiramente como roteiro para um filme, e como não deu certo virou romance. Para quem se interessa pela África e por história – como eu – é uma ótima pedida! ;-)
Livro
Teoria Geral do Esquecimento
Autor? José Eduardo Agualusa
Quanto? A partir de R$25 no Estante Virtual
Cristiane Tada