A sexta-feira chegou animada novamente e a dica comentada de hoje é de uma obra  que fala do universo jovem e vendeu 70 milhões de exemplares! Além disso, temos as nossas dicas que colhemos nas Universidades Brasil afora. Não esquece hein, tem dica legal rolando por perto, envia para a gente no [email protected]. Bom fim de semana!

PORTO VELHO – RO

O que? Peça “N.O – Neurótico Obsessivo”. O espetáculo é baseado no texto da dramaturga baiana Bárbara Pessoa. A partir de situações cotidianas de um casal comum, a peça denota as ambiguidades e incoerências entre o que se pensa e o que se faz. O (des)encontro amoroso, o ciúme e as relações doentias pontuam o desenrolar da peça, onde os personagens Jairo, Lourdes e seus respectivos pensamentos (que também são personagens) vão se revelando diante do público a partir de um “jogo do psiquismo” que acaba impedindo a entrega dos sujeitos na relação. Quando? Programação do Terças e Quintas Cênicas, um projeto do departamento de Artes da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Nas terças- feiras (20 e 27 de maio, 3 e 10 de junho às 20h. Onde? Sala do Piano, na UNIR Centro (Av. Presidente Dutra, 2965) Quanto? Entrada gratuita.

RECIFE –PE

O que? Peça “O Prisioneiro do Tempo”, primeiro espetáculo do Grupo Novelo de Teatro, com texto e a direção de André Filho (Companhia Fiandeiros de Teatro). Em “O Prisioneiro do Tempo”, as qualidades do teatro são exaltadas, seus defeitos são apontados e os lugares que atores, autor e plateia ocupam no jogo cênico são demarcados. Ao longo do enredo, dois jovens atores encontram um casarão abandonado, onde acreditam ser o espaço perfeito para montarem seu mais novo espetáculo. Lá, eles se deparam com uma figura curiosa, um idoso que se autointitula “autor” e que, ao que tudo indica, encontra-se preso naquele local há muito tempo. Quando? Até 7 de junho, as sextas e sábados, sempre às 20h. Onde? Teatro Joaquim Cardozo, no Centro Cultural Benfica, ligado à Pró-Reitoria de Extensão da UFPE (Rua Benfica, 157, no bairro da Madalena) Quanto?R$ 14 e R$ 7.

VIÇOSA – MG

O que? O CineCom da Universidade Federal de Viçosa (UFV) vai exibir o clássico Orgulho e Preconceito (1940). Dirigido por Robert Z. Leonard, o drama narra a história de um família humilde composta por cinco filhas solteiras, com uma mãe que pretende arrumar bons casamentos para cada uma delas. O filme se baseia no livro de mesmo nome, da escritora inglesa Jane Austen. A obra tem diversas versões adaptadas pelo cinema, mas esta, de 1940, é a mais antiga e ganhou o Oscar de melhor direção de arte em preto e branco. Quando? Neste domingo (18), às 19h. Onde? Nas Quatro Pilastras do Campus Universitário de Viçosa ( Avenida Peter Henry Rolfs, sem número). Quanto? Entrada gratuita.

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA

O que? Seminário Cinema Brasileiro e Pensamento Social, realizado pelo Programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e o Programa de Cinema e Audiovisual. A programação é composta pela Mostra Pensando o Brasil em Filmes, com a exibição de quatro longas-metragens brasileiros e comentários de professores-pesquisadores. Quando? 20 e 23 de maio às 19h. Onde? Sala de Cinema Jorge Melquisedeque, localizada no módulo da TV Uesb. Quanto? Entrada é gratuita.

PELOTAS – RS

O que? Exposição O que nos move é também o que nos une, de Andre Barbachan. A mostra envolve geradores e uma série de esculturas do corpo humano que são apresentadas em diversas situações. O público receberá um mapa que o guiará pelas cenas, sendo que para o funcionamento destas é necessário à interação do público com os geradores. Quando? De 15 de maio a 13 de junho das 10 às 18 horas. Onde? Nos porões do Museu do Doce, Casarão 08 (Praça Coronel Pedro Osório nº8). Quanto? Entrada gratuita.

Dica comentada * Por Yuri Pires

Todos somos Caulfield. Uma obra de simplicidade extrema que propõe uma profunda reflexão.

Ganhei “O apanhador no campo de centeio” de uma grande amiga em 2007. Já tinha ouvido falar da genialidade que o envolvia, porém não pensei que uma história tão simples revelaria tanto do que eu passava na época.

Eu havia acabado de completar meus 20 anos, mas ainda estava cheio de dúvidas e conflitos internos e buscava respostas tudo aquilo. Para a minha surpresa, encontrei-me, como milhões de leitores, em Caulfield, personagem principal da trama.

Em 1951, ano de lançamento deste livro, a liberdade era algo com limites muito bem impostos na sociedade e falar tudo o que vinha à cabeça não era uma opção muito viável. O autor J.D. Salinger quebrou paradigmas ao escrever uma obra cheia de palavras consideradas de baixo calão à época e questionamentos que todo adolescente tinha, mas não podia expressar. Por isso, foi considerado por muitos, um livro subversivo.

Holden Caulfield é um jovem estudante cheio de personalidade e pouco ligado aos padrões de comportamento. Expulso do colégio por acumular notas baixas (e aqui já me identifiquei), precisa voltar para casa e encarar sua família. Enquanto cria coragem, vive situações que testam sua personalidade.

Caulfield não vê sentido em continuar na escola, acha uma chatice. Contesta a postura arrogante e padronizada de seus colegas; odeia a hipocrisia adulta. Por isso sente-se sempre em um mundo que não lhe pertence, cheio de “sacanas”, como descreve em sua narrativa. Para o personagem o mundo adulto é um saco, mas é ele que se assume um chato, pois é assim que os jovens são. Duvidam de tudo, questionam tudo, acham tudo muito chato na maior sinceridade.

Os conflitos vividos por Holden são os mesmos vividos por qualquer jovem, em qualquer época da história. Em uma fase tão conturbada quanto a adolescência, mal conseguimos nos entender. “O apanhador no campo de centeio” permite que nos vejamos por fora deste turbilhão. Talvez por isso essa obra, que já vendeu quase 70 milhões de exemplares, nunca envelheça.

No final da história o personagem finalmente cita o nome do livro, ao responder pergunta feita por sua irmãzinha, Phoebe, sobre o que gostaria de ser, já que nada o agrada. E ele responde: “Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto, a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho que fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo”. Esse abismo é a maturidade. Holden quer nos salvar da “chatice” da vida adulta.

LIVRO

Catcher in The Rye (O Apanhador no Campo de Centeio)

A partir de R$ 35 na Estante Virtual

 Cristiane Tada