Esta semana estamos um pouco tristes, pois perdemos uma figura única para a América Latina e para o mundo. O Prêmio Nobel de Literatura Gabriel Garcia Márquez morreu aos 87 anos. ‘Gabo’ era natural da Colômbia, e exerceu o jornalismo além da literatura. Para seus fãs, não é apenas a narrativa e a descrição cativante que fizeram dele um grande autor, mas também sua capacidade de criar personagens memoráveis. Por isso ele é tema da nossa dica comentada de hoje com a sua principal obra Cem anos de solidão. E tem temos as nossas dicas tradicionais Brasil afora.  Tem programa cultural legal rolando por aí? Manda para a gente no [email protected] Bom fim de semana!

BELÉM –PA

O que? Espetáculo Recusa da Cia de Teatro Balagandan. Peça inspirada em notícia vinculada no jornal Folha de São Paulo em 2008, conta a história dos índios Piripkura da Região Norte do país que vivem isolados da civilização. Onde? Teatro Universitário da UFPA, Cláudio Barradas (Travessa Jeronimo Pimentel, 546). Quando? 25 e 26/04 às 20h. Quanto? Entrada gratuita.

OLINDA- PE

O que? Cine PE – Festival Audiovisual. Ao todo, serão exibidos 27 filmes na programação do evento – 22 deles, brasileiros. Quando? De 26 de abril até o dia 2/05. A Mostra acontece todos os dias às 19 h. Onde? Cine Teatro Guararapes – Centro de Convenções (Av. Professor Andrade Bezerra, s/n). Quanto? Inteira R$ 10,00 / Meia R$ 5,00. Programação aqui.

BRASÍLIA – DF

O que? Fórum Shakespeare. No ano em completam-se 450 anos de seu nascimento do autor inglês o Centro Cultural Banco do Brasil realiza palestras, mesas-redondas, oficinas, seminários e uma instalação fotográfica. O público-alvo do encontro são atores, diretores, estudantes universitários e professores, mas a programação é aberta a todo o público. Entre os convidados estão diretores da Royal Shakespeare Company, da Inglaterra, a maior e mais antiga companhia dedicada ao trabalho do dramaturgo, além de importantes nomes das artes cênicas e da academia brasileira e internacional. Quando? De 23 a 30 de abril, de quarta a segunda, das 9h às 21h. Onde? Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (SCES, Trecho 02, lote 22) Quanto? Entrada gratuita.

CUIABÁ – MT

O que? Mostra Cinema pela Verdade no ano que se completam 50 anos do golpe volta a exibir simultaneamente em universidades dos 27 estados filmes que retratam este período marcante da história brasileira. A Mostra acontece nos meses de abril e maio, e promove exibições de filmes seguidas de debates que ajudam a provocar reflexões sobre o tema. Este ano, os filmes selecionados foram os documentários Repare Bem, de Maria de Medeiros, Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista por Dentro, de Vandré Fernandes, e Ainda Existem Perseguidos Políticos. Quando? No MT a primeira sessão será no dia 29 de abril às 9 horas. Onde? Auditório do Centro Cultural, localizado no Museu de Arte e Cultura Popular (MACP), Campus Cuiabá da UFMT (Av. Fernando Corrêa da Costa, nº 2367 – Bairro Boa Esperança). Quanto? Entrada gratuita.

NATAL – RN

O que? O Programa SigaArte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o Centro Acadêmico de Teatro Augusto Boal promovem ações acadêmicas e culturais em comemoração ao dia mundial do Teatro, 27 de março. Quando? Dias 27 a 30/04 incluindo workshop, rodas de conversa, apresentações artísticas, exibição de documentários, entre outros. Onde? Campus da UFRN de Natal. Quanto? Acesso livre a toda comunidade acadêmica (servidores técnicos, discentes e docentes) e externa. Programação aqui. 

DICA COMENTADA –  POR YURI SALVADOR

A grande obra de García Márquez. Uma história de gerações, para muitas outras.

“(…) Macondo já era um pavoroso redemoinho de poeira e escombros centrifugados pela cólera do furacão bíblico quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo em fatos demasiado conhecidos e começou a decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse se vendo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias de sua morte. Porém, antes de chegar ao verso final já havia compreendido que não sairia jamais daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo estava escrito neles era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra”.

Cem Anos de Solidão, com certeza, foi uma das melhores leituras da minha vida. Mudou a forma como vejo as relações humanas e me fez admirar a tal solidão.

Comecei o livro por duas vezes. Demorei “cem anos” para terminá-lo. Valeu a pena, pois esta não é uma história para se ler e sim para se viver, para refletir dia a dia. Foi deste modo que me senti dentro dela.

A mais famosa história de Gabriel Garcia Marquez, Nobel de Literatura, desenrola-se à volta da família dos Buendía. José Arcádio e Úrsula Iguarán, primos que se casaram e fundaram, no meio do nada, o mítico vilarejo de Macondo. Este é o lugar onde gerações crescem, guerras acontecem, paixões dilaceram e amores nascem e morrem.

Geração após geração, filhos, netos, bisnetos e trinetos crescem e ganham forma na história, mas Úrsula, a matriarca vive. Vive muito, entre 115 e 122 anos. É ela que se dá conta que as características dos seus herdeiros estão sempre ligadas aos seus nomes. Desta forma, todos os José Arcadio são impulsivos, trabalhadores e loucos, enquanto os Aurelianos são tranquilos e fechados no seu próprio mundo.

Úrsula vê seu marido enlouquecer, suas filhas disputarem o mesmo amor, seus filhos viverem as loucuras do amor e da guerra. E só quando o último da estirpe está às portas da morte é que se decifra a história da família, já escrita pelo cigano Melquíades em complexos pergaminhos.

Este foi o primeiro livro de Garcia Marquez que li. Fez-me entender que, acima de qualquer coisa, todos estamos fadados à solidão. Não importa quantos amigos tenhamos, quantos amores ou quantas batalhas vamos travar. A solidão é uma dádiva, pra quem sabe vivê-la.

Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colombia, em Março de 2007, Cem anos de solidão foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de La Mancha.

Foram vendidos cerca de 30 milhões de exemplares ao longo dos 35 idiomas em que foram traduzidos.

Livro

Cem Anos de Solidão

A partir de R$ 30 na Estante Virtual  

Da Redação