O ano está acabando e já tem cheiro de férias no ar. Então bora aproveitar as dicas culturais da coluna sem medo de ser feliz. Hoje temos um festival de cinema em cartaz no Brasil todo, dança e muita música de qualidade. E a dica comentada fala é sobre o emocionante livro do jornalista Carlos Heitor Cony. Bom fim de semana, galera!
FEIRA DE SANTANA – BA
O que? Espetáculo de dança Ou Isso, coreografia de Jomar Mesquita e Rodrigo de Castro, inspirado na obra do famoso poeta matogrossense Manoel de Barros (1916). A montagem têm direção artística de Jorge Vermelho. Exercitando o corpo, a alma e o coração, o Balé Teatro Castro Alves busca nesta montagem outras possibilidades de enxergar o mundo, de ver as coisas, transpondo sentidos, com um olhar ingênuo, lúdico, quase infantil, mas, ao mesmo tempo, mais astuto e sincero. Quando? 17/12 às 20h. Onde? Praça da Matriz. Quanto? Entrada gratuita. Informações: www.tca.ba.gov.br
UBERLÂNDIA – MG
O que? Concerto dos professores do curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia. Quando? 13/12 às 20h. Onde? Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7.070) Quanto? Entrada gratuita.
RIO DE JANEIRO – RJ
O que? 8ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. O projeto, que acontece por todo o território nacional, está percorrendo as 27 capitais e interior do País, atingindo mais de 600 pontos extras de exibição através de cineclubes, pontos de cultura, universidades, entre outros. Em cada cidade, a programação se estenderá por seis dias, totalmente aberta ao público. Quando? Até dia 22/12. Veja a programação aqui. Onde? Caixa Cultural do Rio de Janeiro (Avenida Almirante Barroso, 25, Centro). Quanto? Entrada gratuita.
CAICÓ – RN
O que? 3º Parcerias Sinfônicas Sesc apresenta “Vinicius – uma canção pelo ar…” . No espetáculo os talentos da Orquestra Sinfônica da UFRN dividem o palco com os cantores Alzeny Melo, Erick Von Sohsten, Hilkélia Carlem e Lysia Condé, e com os atores Quitéria Kelly e Rogério Ferraz. Na união entre música, teatro e artes visuais, são entoados clássicos do poetinha, como Eu sei que vou te amar, Tarde em Itapoã e Soneto da Fidelidade. Quando? 16/12, às 20h. Onde? Ilha de Sant’Ana (Avenida Beira Rio) Quanto? Entrada gratuita.
RIBEIRÃO PRETO –SP
O que? Sambada de Coco Chinela Baixa convida Mestre Galo Preto dentro da 5ª Mostra Gira-Sola ACENA. O Chinela Baixa (São Carlos/SP) acompanha o Mestre Galo Preto (Recife/PE), mestre de Guga Santos que, com mais de 70 anos de trajetória, encanta o povo por onde passa com muito samba de coco, histórias e improvisos cheios de leveza e espirituosidade. Quando? 14/12, às 22h. Onde? Memorial da Classe Operária – UGT (Rua José Bonifácio, 59). Quanto? Entrada gratuita.
DICA COMENTADA – POR CRISTIANE TADA
Livro
Quase Memória (1996)
Autor: Carlos Heitor Cony.
Preço: A partir de R2,50 no Estante Virtual
Quase memória
“Era a letra de meu pai. A letra e o modo. Tudo no embrulho o revelava, inteiro, total. Só ele fazia aquelas dobras no papel, só ele daria aquele nó no barbante ordinário (…)”
Uma amiga minha pesquisa sobre o tema memória e em uma conversa sobre o assunto eu me lembrei de um dos meus livros prediletos, Quase Memória, do Carlos Heitor Cony. Acabei indicando para ela, que sem surpresa alguma para mim, adorou. Esta semana estávamos conversando sobre ele e olhe a ironia, descobri que nesses quase dez anos que se passaram desde que o li, a minha memória não se lembra de grandes sacadas da história. O que não me impede de escrever sobre ele, além de garantir uma indicação de ótima leitura sem spoiler.
Pois bem, a obra é descrita como um quase-romance, ficção e recordações do autor se misturam e acredito que nem o próprio saiba mais o que é real ou não. Na verdade eu sei, o real são os sentimentos que eles despertam. No enredo o relacionamento de uma vida toda entre pai e filho. O autor não é indulgente, o pai está ali com suas falhas, idiossincrasias (e elas são muitas!), vícios e virtudes também. O herói e o vilão, as mágoas e as alegrias, todos os papeis e os sentimentos vão sendo levantados na poeira do tempo, de acordo com a narrativa do filho que se inicia com o recebimento de um pacote enviado pelo pai.
Acho que todo mundo que conviveu com um pai, não tem como não se emocionar. Através do retrato pintado pelo filho, com muito humor, eu revi a minha história com o meu, ainda que as nossas vivências não tenham tantas coincidências.
Mas a esta altura da vida eu já entendi que existem alguns pré-requisitos para ser pai, e que as marcas que eles deixam nos filhos são parecidas. Em suas teimosias, ideias mirabolantes, cheiros e manias únicas. Na forma como nos sentimos especiais quando eles nos reconhecem como companheiros ou quando conseguimos ensinar alguma coisinha que eles não sabiam, o que desde criança sempre pareceu tarefa impossível à nossa referência maior em tudo.
No livro o pai de Cony é um contador de histórias que vai descortinando o mundo para o filho. Motivado por fatos que ele muitas vezes não entendeu e ainda não entende. E quem é que pode dizer que já desvendou o pai por inteiro?
Cristiane Tada