Para alegria geral da nação é sexta e a nossa coluna tá cheia de alegria. Tem festa de calouros, encontro de cinema, poesia, exposição de gravuras e apresentação de balé. E a dica comentada fala de um dos livros de contos do atual escritor preferido do universo feminino, Mia Couto.  Não perde nenhuma dica e aproveita! Ah e se tiver uma dica legal envia para o [email protected]

VITÓRIA – ES

O que? Festa de calourada DCE da UFES. Com atrações Roninho Big Band, Projeto Boca a boca, Fabrício, Caixadá, Capim Guiné, The Single Malt. Onde? Gramado em frente à Biblioteca Central da UFES (Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras). Quando? 09/10 partir das 15 horas. Quanto? Entrada gratuita. Informações: www.facebook.com/photo.php?fbid=686770421334635&l=8e9b907d41

FLORIANO – PI

O que? 8º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões. Serão exibidos 21 filmes na mostra competitiva, entre longas e curtas de vários estados brasileiros. Serão apresentadas também mostras não competitivas, tais como Curta Pontos de Cultura, Curta Criança, Minha Terra Canto Eu, Caatinga e Circuito Tela Verde, que totalizam 47 filmes. A noite encerra com atrações musicais com Vavá Ribeiro, Chico Mario e Banda, Bráulio Luís, Mauricio e Banda, Gonzaga Lú e Trio Asa Branca. Quando? Até 10/11 às 19h30. Onde? Cine Teatro Maria Bonita (Avenida Esmaragdo de Freitas), Cine Teatro Cidade Cenográfica ( R. Fernando Marques, 2747) e Universidade Estadual do Piauí (BR 343, km 3,5 – Bairro Meladão ). Quanto? Entrada gratuita.

CHAPECÓ – SC

O que? Espetáculo Poesia para gente da vida – literatura, música e audiovisual. O “grupo Vertigem de ações poéticas” atua com poesia, literatura e música, chegando até aos ouvidos, olhos, vísceras, corpo e alma daqueles que se propõe a uma experiência de reciprocidade poética. Circundado de uma ambientação musical, onde se entrelaçam linguagens, o grupo Vertigem vai interferindo, constituindo, desconstruindo e dialogando em espaços onde a palavra, o som e a imagem acontecem entre si, gerando movimento. Quando? 09/11 às 20h. Onde? Teatro Sesc (Rua Brasília, 475-D). Quanto? Entrada gratuita.

JUIZ DE FORA –MG

O que? Exposição Oswaldo Goeldi – Soturno Caminhante. A mostra reúne obras e objetos de coleções particulares e públicas e também do acervo do gravurista. Obras representativas da carreira do artista, fotos pessoais e dos familiares e livros ilustrados pelo gravador estarão expostos. Goeldi foi contemporâneo de grandes acadêmicos da literatura e das artes e fez dessa convivência fonte de inspiração para retratar o interior dos seres humanos simples e excluídos da sociedade. Quando? Até 07/12, segunda a sexta das 10h às 18h, Sábados das 10h às 14h. Onde? Espaço Cultural Correios Juiz de Fora (Rua Marechal Deodoro, 470, Centro) Quanto? Entrada gratuita.

SALVADOR – BA

O que? Espetáculo A Sagração da Primavera. Como parte do projeto Balé Teatro Castro Alves Memória, 20 jovens dançarinos baianos, escolhidos em processo de audições, remontam o clássico balé centenário do russo Igor Stravinsky, com coreografia original de Vaslav Nijinsky. A criação é do argentino Oscar Araiz e coordenação de remontagem da bailarina do Balé Teatro Castro Alves Anna Paula Drehmer. Quando? 11 e 10/11 às 20h. Onde? Teatro Castro Alves (Praça Dois de Julho, s/n – Campo Grande). Quanto? Entrada gratuita.

SÃO PAULO – SP

O que? Canções da América Latina com Jara Arrais. Quando? 09/11 às 20h. Onde? Espaço Cultural Latino Americano (Rua Abolição, 244, Bixiga). Quanto? R$10.

DICA COMENTADA POR CRISTIANE TADA

Livro: O fio das Missangas, 147 páginas.
Autor: Mia Couto
Editora: Cia das Letras
Ano: 2012
Quanto? A partir de R$27 no Estante Virtual

 O MIA DAS ‘MINAS’

“A missanga, todos a veem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.” (O fio das missangas)

Antes de começar quero dizer que eu não sou nenhuma expert do autor Mia Couto. Aliás, essa dica trata do primeiro livro que li dele. Bastou. Fui arrebatada. Mas quem vai dizer que não são essas as melhores paixões? Aquelas quando nem sabemos direito em que verdade se calca o ser idealizado, ele é só encantamento e aquela luz colorida e é quem sabe bem por isso, pela falta de conhecimento sobre, que nos parece perfeito?

Uma amiga que sabe das coisas me convidou para ver uma peça baseada em alguns contos do livro O Fio das Missangas do escritor moçambicano. E para variar fiquei presa às falas. E quanta poesia tinha aquelas palavras. No debate após o espetáculo, o autor da trilha sonora da peça chamou Mia, do Chico Buarque das “mina”. Adorei a descrição.

Assim como o Chico, nosso velho conhecido em letras e metáforas que despertam um óinn uníssono na raça feminina, o biólogo Mia Couto escreve como se tivesse consciência da dor de ser mulher. Suas personagens carregam suas pedras e sentimos no nosso corpo o peso parecido com aquele que levamos no cotidiano. E põe lirismo em cada esquina, situações fantásticas, e destinos improváveis. Ahh um monte de S2 S2 S2 resumiriam este texto. Personagens descritos de forma única, invencionices à la Guimarães Rosa (os tais neologismos) tecendo contos em uma prosa que mais parece poesia.

Estou em uma fase de escritores latinos e/ou de língua portuguesa, enfim nós aqui de baixo, terceiro mundo, subjulgados e desacreditados como as mulheres do Fio das Missangas. Acredito nessa identificação pela linguagem, pelos temas correlatos, pela resignação dos personagens, nas injustiças desse nosso mundo e do destino que parece que só existem aqui, em Moçambique, Portugal, Cuba ou Macondo. E não há nada que emociona mais do que se sentir representada e compreendida em uma obra. Mia tem essa sensibilidade de enxergar e dar voz a personagens que assim como o fio que une as missangas, nunca são vistos, mas sustentam o colar.

Cristiane Tada